Ai meu amor, não chegue sem avisar
o dia ainda se faz breve
não quero te assombrar
O céu escurece e a lua
começa a espiar
ah meu amor não chegue sem avisar
deixa um recado na porta
ou pede o tempo pra entregar
quem sabe me encontre morta
de tanto lhe esperar...
Umburana de Cheiro
sexta-feira, 26 de maio de 2017
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Malhadas do destino
Da vida quase nada
sei
apenas do canto da
sabiá, do galo de campina
do cheiro da terra
molhada nas malhadas do destino
Nas terras que um
dia deixei o rio andou por lá
hoje restam pegadas
amorfas, campos estéreis, saudades ...
O mandacaru teima
aqui e ali brota querendo voltar.
Um xique-xique
espinhoso, aponta os espinhos esturricados de sol,
sal num deserto sem
par
Que foi feito dos
pássaros
que viviam a cantar?
Das rosas e das
borboletas
coloridas?
Do zoar das abelhas
a engravidar as flores?
As águas que, por
aqui, correram será
que encontraram o
mar?
Uma faveleira morta,
mostra a sina do lugar….
Umburana de Cheiro
sábado, 8 de abril de 2017
Ilusão, doce ilusão
para o bem ou para o mal
podemos transformá-la, destruindo-a e construindo outros sonhos,
castelos de fantasias….
Somos privilegiados, temos um corpo físico complexo, uma
inteligência inata e uma alma imortal….
Então por que olho para o norte vejo o sol
onde o inverno é perene e profundo?
Onde a dor que sinto vem de
infinitos desertos?
E a minha cura está dentro e não fora?
Ser, somente ser. Sem ruídos...
Ser íntimo de si, conhecedor, fazedor de si
Crinas ao vento, romper da aurora,
vida sem rumo, desafios,
cavalos de troia….
Ilusões, fantasias….
Umburana de Cheiro
sexta-feira, 7 de abril de 2017
A noite, da janela
do meu quarto,
vejo outras noites
outros dias
anoitecidos sem findar….
Terão sido tempos
perdidos,
esquecidos de lutar?
Num mundo onde nada
se perde,
nem o sonho acontece
sem a liberdade pra
sonhar?
Não foi por falta
de luta
ou por preguiça do
dia
quem sabe não foi a
noite,
que chegou sem
avisar?
Umburana de Cheiro
Ela
acordou com o sol queimando as suas pernas, estava ali desde cedo e a
beleza do lugar não a deixara sair. Algumas pessoas a tinham
convidado a dividir suas barracas, mas, ela, insistira em ficar e
agora estava tremendamente queimada de sol... Levantou-se e se
dirigiu ao um bar próximo atrás de uma água de coco. Tomou e
aproveitou para refrescar o rosto. Depois pegou sua bolsa e saiu rumo
ao hotel onde estava hospedada.
Como
pode ser tão lindo assim? Se perguntava enquanto tentava mirar o
horizonte. Era tudo céu e mar e em cada praia que fora, independente
de onde estivesse, o mar se confundia com o céu. Aquela ilha era
como um navio a navegar infinitamente no mar sem fim.
Chegando
em casa retirou todo o sal do corpo. A água tinha uma densidade
diferente, era mais pesada, mais salgada que de onde tinha vindo.
Colocou
um short, uma blusa branca, umas rasteirinhas, peteou os longos
cabelos e colocou um chapéu. Antes de sair olhou para cama e a
vontade de deitar-se a surpreendeu, não vou ceder a esses desejos de
desaparecimentos: dormir, ficar embolada na cama lembrando coisas
passadas era um voltar para um tempo que não existia mais, pensou.
Não iria se permitir a isso novamente, levantou o queixo e saiu.
A
claridade a cegou momentaneamente fazendo com que ele esbarrasse em
um rapaz que por ali passava.
-
Eeeei, calma. Por que a pressa?
-
Não é pressa é cegueira momentânea mesmo, respondeu enquanto ria
e pedia desculpas
-
Nossa mas você tem um sorriso lindo, disse ele.
Por
um momento ela pensou em ser indelicada, mas depois lembrando das
promessas feitas há pouco, decidiu continuar sorrindo.
-
Olha tô indo jantar, não quer se misturar com a gente?
-
A gente quem? Respondeu procurando ao redor, outras pessoas
-
Meus amigos e minha namorada, eles estão me esperando no restaurante
Ela
bem mais animada decidiu ir, por que não? Pensou. Ficou sabendo que
o nome dele era Pedro, engenheiro, estava ali para desapegar da
rotina estressante da cidade de onde vinha. Ela a apresentou a todos:
Renato e Sílvia um casal de amigos que, segundo ele, eram “guardas
costas e frentes” deles, devido a atenção que os dispensava.
Findo
o jantar sairão para dançar, ela com uma sensação de quem está
sobrando entrou no carro e sentou-se próxima a garota, cujo par,
estava dirigindo.
Encontraram
um Luau muito animado em uma praia bem selvagem onde se entregaram ao
som do reggae. Dançaram todos com ela que aos poucos e após algumas
doses consumidas, foi sentindo-se mais confiante.
De
repente estava em frente a um rapaz muito alto de bermuda florida e
um sorriso branco no rosto. Viu-se retribuindo o sorriso e, para se
sentir mais independente do grupo, começou a conversar com ele.
Estava muito envolvida na música quando ouviu um estranho som que
sobressaia dos sons ali ouvidos… Inclinou a cabeça e esperou ouvir
novamente.
– Não se assuste, é apenas o mar batendo nas rochas ao lado do
bar.
– Mas, tão alto assim?
–
Sim, estamos em cima da ponta da rocha, basicamente, e quando a maré
enche ouvimos este som que nada mais é do que a passagem da água
por uma falha e principalmente em noites de Lua cheia quando o
repuxo é mais perceptível, quando a água
é
empurrada
para a praia pelas ondas.
–
Deve ser lindo!
-
Sim mas, perigoso.
O
retorno da água chega
a
derrubar pessoas ou escavar a areia sob seus pés, e puxá-la para
águas mais profundas. Quando a arrebentação é grande, uma segunda
série pode encontrar a água do repuxo, criando extensa turbulência,
muito
perigosa e
muitas vezes aqui, nesta praia, puxam
uma
pessoa numa distância
muito curta mar adentro é
preciso então muito cuidado. As vezes a beleza mata, completou:
– Quero ver!
Sem
pensar ele respondeu;
–
Vamos.
Saíram
de mãos dados e enquanto saia, ela teve o cuidado de acenar para os
amigos. A lua estava enorme e seus raios prateados cobriam todo o mar
e enchendo-o de estrelas prateadas. A areia brilhava tanto que ela
pensou em chorar diante de tanta beleza.
-
Vou pisar as estrelas!
-
Não se preocupe elas são muitas, pode pisar a vontade, não vai
fazer falta, disse ele.
Quando
chegaram no local onde o mar batia na rocha ele apontou e disse:
-
Olha lá! O mar bate ali na rocha e entra pela falha, saindo pelo
outro lado e isso faz esse som diferente.
´ -
Estou impressionada daqui e sem os sons do reggae parece um grito!
Dizendo isso se aproximou bastante da água.
-
Venha cá, chamou ele, não se aproxime tanto! A força da água é
muito forte! Dizendo isso a puxou com força para si. Talvez pelas
doses de Martíni ingeridas, pela solidão de tantas noites ou pela
luz da lua, ela se sentiu atraída para ele de tal forma que se
desequilibrou deixa-se aninhar no seu peito e ali mesmo, como um
encantamento, eles se possuíram….
Quando
por fim, exaustos, felizes e, ainda, sem saberem sequer o nome um do
outro, se separaram, ela correu para o mar e gritou já com água na
cintura:
-
Você que fique ai, eu vou dar um mergulho!
Prontamente
ele levantou-se e correu em direção a ela. Mas, não teve tempo de
alcançá-la, o mar em repuxo, a abraçou primeiro e em seguida,
envolveu-a na sua escuridão. Ele ainda viu o seu belo rosto prateado
pela Lua, seus cabelos salpicados de estrelas, e o seu grito de
surpresa ao mergulhar para sempre.
Umburana
de Cheiro
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Dias
desses eu estava muito estressada no Shopping, tentando pagar o IPVA
que este ano ainda não tinha chegado o carnê na minha casa.
Primeiro veio o terror: este ano o IPVA terá que ser pago em
janeiro, depois outro informe: a justiça decidiu que o IPVA vai
continuar como sempre a depender do número da placa. E nisso o tempo
passa e quando vejo final de março e IPVA atrasado. Nada de chegar o
carnê. tento pela INTERNET não consigo baixar, vou ao DETRAN e me
informam que está em greve e que sim, eu estava atrasada com o IPVA
e tenho que retirar pela INTERNET mesmo. A moça, muito solicita, me
dá um papelzinho com o passo a passo. Chego em casa, não funciona.
O Detran não reconhece o endereço, dois dias depois volto, falo com
a moça e sou informada que a greve acabou. De posse dos carnês (meu
e do marido) me dirijo ao banco, estou muito concentrada e irritada
com tudo aquilo.
De
repente escuto um grito: ô mãe! É a voz do meu filho mais velho no
meu ouvido. Paro de chofre e olho em todas as direções na esperança
de ver os seus olhos, depois, lembro que ele está longe e que tudo
não passa do consciente ou inconsciente ou ainda subconsciente me
pregando peça. Mãe é assim, está sempre antena em perfeita
conexão com os filhos estressada ou não. Vira e mexe o está
ouvindo e vendo pessoas parecidas com eles. Acontece também com
pessoas a quem queremos bem ou que, de alguma forma, precisam morar
na nossa lembrança. Por que será que não vemos, com a mesma
frequência, pessoas estranhas, parecidas com os nossos desafetos?
Pensei: Isso daria uma boa conversa com lacanianos e froideanos.
Outro
dia estava sentada esperando ser atendida em uma Instituição,
quando para em minha frente, muito feliz um senhorzinho. Ele olha
para mim, cheio de amor diz:
–
Zinha! Como vai?
–
Eu vou bem, respondo na bucha
–
E Dedé, me dê notícias de Dedé, homem, pelo amor de Deus me diga,
como vai ele?
-
Olha, acredito que ele vai bem, do contrário, o sr saberia não é
verdade? Notícias ruins correm
Ele
olhou bem para mim e continuou:
-
Menina, você não está lembrada de mim? Mudei tanto assim? Sou
compadre de Dedé que é casado com Edvirgens... Acredito que sou até
seu padrinho.
Ai,
eu vi que a coisa estava ficando séria e calmamente falei;
–
Por que o Senhor não se senta para conversarmos melhor?
-
Não, tô com pressa. Parei apenas para saber do Dedé, Ah meu Deus!
Que dia abençoado. E apontava para o céu como em oração. Isso
algumas pessoas já olhavam a cena tentando entender.
-
Senhor, sinto muito, eu não sou Zinha e mais, não sei de quem o
senhor está falando. Eu, francamente, não estou lembrada e não
conheço nenhuma dessas pessoas, infelizmente.
Ele
pobrezinho, calou-se e depois de me olhar bem, começou a pedir
desculpas e a se justificar para as pessoas que sorriam sem dó nem
piedade. Enquanto ele se explicava eu ficava pensando: do que ele
está se desculpado? Qual o problema se o amor dele pelo compadre é
tanto que vê pessoas de seu relacionamento por toda a parte? Imagine
a vontade deste velhinho em rever ou saber do amigo querido? Quando
dei por mim ele já estava saindo decepcionado enquanto dizia
baixinho: é toda a Zinha da Edvirgens, é a cópia fiel….a cópia
fiel... Umburana de Cheiro
terça-feira, 4 de abril de 2017
Me deixa seguir.
Amarras, com laços de fitas, os meus pés inquietos,
não vês que quanto mais caminho, mais se distancia o horizonte?
E aquele arco-íris que, fincado, nele está?
Sempre a sorrir e iludir com seu pote de ouro!
Será que está a me convidar
para o festim dos anjos?
Ou apenas espera que a minha vagarosa e indecisa caminhada
me atrase?
Quando meus pobres pés cansados,
o alcançar, encontrará somente resquícios
do seu tesouro…
Tuas fitas já não me importunarão, terão ficado
esgaçadas pelo caminho, distribuídas a mercê dos ventos,
de obstáculo em obstáculo,
opacas,
confusas...
perdidas para sempre!
segunda-feira, 3 de abril de 2017
domingo, 2 de abril de 2017
BOLO INTEGRAL DE CENOURA E IOGURTE
Ingredientes
2 xícaras bem cheias de farinha de trigo integral
1 xícara de açúcar
3 cenouras cozidas e amassadas
100 ml de iogurte natural
1 copo de água do cozimento das cenouras, quente, mas não fervendo
3 ovos separados sendo que as claras em neve
1 colher de sopa de fermento químico em pó
1/2 xícara de linhaça em pó.
2/3 de xícara de óleo de milho
Modo de fazer
Cozinhe as cenouras até ficarem macias. Amasse-as com um garfo. Reserve.
Em uma tigela misture a farinha de trigo integral com o óleo, o iogurte e as gemas até formar uma massa homogênea. Acrescente a água quente aos poucos e a seguir, as cenouras amassadas. Bata com a batedeira até ficar uma massa bem lisa.
Acrescente o fermento, misture com a batedeira.
desligue a batedeira e coloque as claras em neve incorporando de baixo para cima, lentamente até ficar completamente misturada. Fôrma com furo no meio. Forno em temperatura 180º por 30 minutos.
Obs. Esse bolo pode ser feito na caneca em microondas potência média por 3 minutos meio. Experimentei e ficou bom.
Por esses dias tenho sabido de várias partidas... em janeiro passado partiu para a casa do Pai um tio muito querido, foi assim de repente, depois notícias de amigos e parentes que também seguiram... Ainda a semana passada foi uma tia e aos poucos toda geração da minha mãe e pai esta indo embora... Qualquer que seja a forma da ida é sempre dolorosa é uma ida sem volta é um voltar a um estado que se tinha antes de aqui chegar, onde chegada e partida acontecem no mesmo momento. O nosso primeiro grito seria de alegria pela chegada ou dor pela partida que se inicia? Não sabemos, são mistérios ainda a desvendar... O fato é que a cada partida nos sentimos menor, mais fragilizados, mais certos da nossa ida. É como se fosse um lembrete para arrumar a mala de uma viagem que temos certeza que faremos mas, que nunca queremos nela, pensar.. Aqui chegamos sozinhos e nada trazemos, apenas, acredito, uma enorme vontade ou necessidade de amar e nesse nosso caminho reconhecemos pessoas e delas nos aproximamos para construir juntos algo... Muitas vezes pessoas tão estranhas ao nosso cotidiano que ficamos espantados. É como um ímã que nos aproxima de tal forma que fica difícil separar… Seria encontro de almas? Quem sabe? O certo é que nos dispomos a seguir juntos, formar uma família, outras vezes uma missão e assim vamos nos cercando de coisas e pessoas que amamos até que chega a hora e partimos. Nada levamos, mas, muito deixamos... Sempre deixamos... Não queria falar sobre este tema, mais vi ou revi os lindos olhos da minha amiga Dora na sua doce juventude. O encontro da sua alma com a alma daquele que iria lhe proporcionar possibilidades outras, aqui na terra. Não importa o que aconteceu durante o caminho o importante é que viveram tudo que tinham para viver e agora se despedem… Esta minha amiga já nasceu amando Delano e ainda muito jovem não só o reconheceu, como o trouxe para perto de si. Hoje ele voltou e deixou com ela as lembranças daquele doce amor nas figuras dos seus filhos e netos. Que ele chegue em paz a nova morada e que os que aqui ficaram, fragmentos de sua alma, continuem trilhando esta estrada de forma correta e que saibam adubá-la e semeá-la como seus pais e avós semearam…Dora, receba meu abraço fraterno: Marise Helena
Limão
- Ajuda na digestão e remove as toxinas do aparelho digestivo.
- Em casos de sentir náuseas, acidez ou indigestão, a água com limão ajuda a neutralizar esses sintomas.
- Ajuda o sistema imunológico a se tornar mais forte, graças à contribuição da vitamina C.
- Contém ácido ascórbico, composto por propriedades anti-inflamatórias.
- O suco do limão é um remédio eficaz na obesidade, mas antes de começar uma dieta exclusiva, o paciente deve beber muita água.
- Equilibra o pH , por ser um dos alimentos mais alcalinos. O limão ao ser ingerido, e metabolizado pelo organismo se torna alcalino.
- Ajuda a reduzir a ingestão de café, já que normalmente ao beber um copo de água com limão a vontade de tomar café é eliminada.
- Ajuda para refrescar o hálito e aliviar as dores de dentes e gengivites.
- A água com limão ingerida com as refeições reduz o índice de glicose no sangue, o que ajuda o corpo a diminuir a sensação de fome e o mantém saciado por muito mais tempo, contribuindo para a perda de peso.
Flores mortas
Não se sinta
desapercebida,
desamparada ou
esquecida
assim como um laço
de fita que vai embora com o vento….
Pense por um momento
que o mesmo vento que leva,
trás de volta como
um pensamento aquilo que já não se quer lembrar
Ou talvez assim como
as folhas que amareladas caem
que só ouve não se
vê antes de pisá-las….
Mas, lembre-se bem
até mesmo essas folhas que ao leu ai estão,
já foram belas e
ainda o são na nova forma de se dar….
Lembre que nada
passa invisível
nem o riso, nem o
grito
muito menos o seu
andar
enquanto a sua alma
chora e o seu corpo implora
a natureza quer sua
volta
com a força que lhe
a trouxe para cá
Umburana de Cheiro
sábado, 1 de abril de 2017
Até
os nove anos não existia o sexo para mim, eramos, todos, crianças e
isso satisfazia nossa vida infantil. Acredito que este viver não era
uma particularidade minha e sim de todas as crianças da época da
nossa Petrolina, também, menina e indiferente a esses pormenores...
Brincávamos soltos na rua até tarde e os únicos temores eram, sem
dúvidas, os Papa Figos da época.
Por
ser muito raquítica era tida como molenga por mais que me esforçasse
a correr entre os amigos sempre saia machucada. A bola do barrabol
batia forte demais, os puxavancos de cabelos nas brigas me deixavam
em petições de miséria... Nunca consegui bater em ninguém! Por
fim desisti de brincar onde os meninos estavam, me limitei a brincar
de bonecas, sonhar com os causos do meu tio Tonho e decorar músicas
de forró (Luiz Gonzaga), para cantar, nas noites de desmancha, no
Logo Vem.
E
assim o tempo foi passando eu e as amigas se reformando e nos
transformando em ninfas, lindas borboletas no frescor da
adolescência.
Até
então o contato com os meninos se limitava a fazer sacos de pano,
para carregar cimento (nos caminhões do meu irmão), trocar bolas de
gude (tinha uma porção, apesar de não saber jogar) e depois livro
de bolso de terror, faroeste e espionagem. Quem não lembra de
Gisele, Bady, a espiã nua que abalou paris da CIA e seu amor agente
001 do FBI?
Um
dia, pela manhã, recebi o veredito: você agora é uma mocinha, nada
de brincar com meninos….
Foi
a deixa para notar que aqueles meninos, conhecidos da infância
tinham crescido comigo. Foi um choque!
Passei
a observar que muitos tinham uma espécie de bigode e que seus rostos
estavam meio azulados. Os olhos já não eram os mesmos quando me
fitavam e o andar também tinha mudado.
Agora
já não se comportavam como antigamente, relaxados, gritando e
chamando a atenção de todos. Estavam sempre sorrindo a socapa e
medido as meninas quando por eles passavam…. Já não ficavam a
perambular pelas ruas atrás em carrinhos de rolimã ou atrás de uma
roda de bicicleta equilibrada por uma espécie de gancho, agachados
jogando bola de gude, brigando, soltando pipa, pulando da ponte,
jogando bola… Agora eles, nos dias feriados e domingos, quando não
estavam com as namoradas, se aglomeravam nas mesas dos bares
discutindo coisas de “homens”, fumando e tomando cerveja…
Comecei
a me reaproximar e descobri que eram outras pessoas. Mais educados,
atenciosos e pasmem não mais me colocavam apelidos e arremedavam a
minha fala. Sempre que deles me aproximava mudavam a postura.
Muitos
foram embora para Recife ou Salvador, voltando apenas nas férias
encantados com a liberdade das moças da grande cidade, mas, negando
a mesma liberdade, as moças da sua cidade...
Fui
enfim compreendendo que meninos e meninas, quando crescidos, passam a
ter sexo e ao se identificarem com o sexo, passam a ter posturas
específicas e esperadas pela sociedade.
Naquela
Petrolina isso queria dizer, pouca intimidade, ou uma justificativa
para estar junto;
–
O que você estava fazendo na esquina, conversando com aquele rapaz?
–
É um amigo, mamãe
–
Quem já se viu, homem ser amigo de mulher? Pare já com isso, ou
quer ficar falada? Eles mesmos vão falar de você! Eles se fazem de
amigos, mas, depois são os primeiros a falar mal de você. Quem já
se viu?
Para
completar, por essa época, um dos meus amigos virou homem e sem mais
nem menos se disse apaixonado, querendo casar…. Foi um tremendo
susto! Aquele menino que brincava comigo, que eu não perdia chance
de abraçar, já que era impossível fazer isso com o meu irmão (ele
era arredio, não gostava de brincar com meninas), me faz tão triste
revelação. Fim da amizade, fim das brincadeiras com os garotos.
Eu
sempre fui dada a me aproximar das pessoas, a abraçar, a sorrir sem
reservas, a elogiar. Minha mãe, por conta disso foi chamada a
Diretoria para ouvir da irmã o comentário que tanto “odiava”.
–
Helena, esta menina precisa parar com esses modos, é muito dengosa,
fala de forma melosa...
–
Mas, irmã, ela é assim mesmo, eu não faço dengo!
E
assim fomos criando nas nossas mentes uma certeza trágica: ser
mulher é ser diferente, submissa, gostar apenas do namorado, marido
e filhos…. Nada de amigo, nada de troca carinhosa de palavras e
afetos….
Isso
repercutiu nas nossas mentes de tal forma que mesmo quando, jovens
adultas, se um amigo se casava nos fastava automaticamente dele.
Olhando,
hoje, para os amigos de infância e os da juventude vejo quanto
ficamos longe um do outro….
Ainda
sou assim. Ainda abraço meus alunos e ex alunos meninos e meninas,
filhos de amigos que hoje já são belos homens, amigos de trabalho
sem me preocupar, agora, com o que possam pensar….
Dia
nesses levei outro susto, abracei uma companheira de Congresso,
enquanto a elogiava pelo trabalho desenvolvido e ouvi esta: “para,
sou hétero”!
Eu,
fiquei aturdida e sem pensar disse e eu sou poli sexual! Uma amiga
que estava perto, horrorizada perguntou:
–
E existe, também, essa orientação sexual Marisinha?
–
Não sei, se não existe, passa a existir agora, pois, eu, como você
bem sabe, gosto de todo mundo, me abraço com todos que me relaciono
bem, independente de com quem vá para a cama e tamos conversados!
Depois
a pobre moça, mais confusa do que eu, no passado, veio pedir
desculpas.
–
Olha eu fiquei com medo de pensarem que sou lésbica… Hoje é
assim, não sabia?
–
Não, não sabia e nem quero saber. Quero ter a liberdade de abraçar
a todos que gosto e de andar “encangada”, como minha mãe dizia,
com as amigas por ai…
Mas,
aqui pra nós, ficou uma felpa no meu coração machucado.
Quando
vou abraçar quem não me conhece, primeiro pergunto:
–
Posso?
Umburana
de Cheiro
quinta-feira, 30 de março de 2017
Quero
uma vida louvável,
dessas
que nunca se esquece.
Tenho
uma vida possível assim,
como
tudo acontece….
Vou
navegando para meu porto de destino
zarpei
na em pleno olho d'água, por todo curso naveguei,
me
aproximo da foz e ainda não me encontrei
Tomara
um dia ser mar
ou
quem sabem, retornar
fio
d'água, riacho, rio
e
terminar o que comecei….
Umburana
de Cheiro
domingo, 26 de março de 2017
"Nego
d'água” me chamou
de
cima da ribanceira
queria
mostrar o rio
naquela
hora primeira
era
bem manhãzinha
o
sol ainda estava frio
o
rio silencioso
soluçava
no baixio...
Senti
a dor das águas
a
se arrastando pelas pedras
o
medo do “Nego d'água”
em
desaparecer na terra
sem
deixar sequer, de seu,
as
lembranças nas donzelas…
Ouvi
o canto triste
de
um sabiá brejeiro
saudoso
despedia-se do rio
que
em um sumidouro penetrava
voltando
ao útero da terra
Pensei
nas serpentes aladas
amarradas
pelos fios
da
cabeça da Santa Virgem,
que
aos poucos se quebravam
nas
entranhas do meu rio,
Chorei
antecipando
as
lágrimas dos ribeirinhos
dormindo
os sonos instáveis
que
antecedem aos pesadelos...
Molhei
o rio com minhas lágrimas
pedi
perdão ao “Nego d' água’'
mergulhei
por inteiro
libertando
de uma vez
a
serpente assujeitada
Umburana
de Cheiro
Na vida tudo tem começo e fim…. Mas, o que mais nos surpreende é esse nosso aleamento de entender que começo e fim começam tudo junto! E, assim, vamos jogando para o futuro o nosso final como se ele chegasse de repente. Então quando acontece de pessoas queridas irem embora, nunca nos conformamos em perdê-las…. Ficamos tristes, muitas vezes revoltados, porém na nossa ida nunca pensamos.
Ver uma mãe ir embora é sempre uma surpresa, uma dor, uma solidão insana! Mas o que está acontecendo é apenas a volta de alguém para casa. É muito triste por mais idosa ou doente que esteja não queremos que se vá, é um pedaço grande de nós que vai na frente e a dor é tão grande que ficamos meio alheio a tudo, como se fosse um sonho ruim, rezamos para que o sol apareça e que tudo volte a ser como antes….
Passamos a lembrar de coisas remotas, vividas em plena cumplicidade, coisas tristes e alegres…. Ouvimos nitidamente o riso dela, chegamos a senti-la mais próximo que antes….
Mas com o passar dos dias vamos nos acostumamos a certeza e a fé nós consola e passamos a conviver com essa eterna falta, como os coxos aprendem a caminhar sem uma perna, o cego sem a visão….
Vamos entendendo que a vida, desta forma, está, aos poucos, nos preparando para voltar para casa.
Primos com um afeto de irmã amorosa que lhes abraço e digo da solidariedade da minha dor... Que rezo para que o conforto chegue rápido Naquele que nos criou, nos colocou nesse mundo e que nos espera, no final da nossa jornada, com Seus braços abertos....
Ver uma mãe ir embora é sempre uma surpresa, uma dor, uma solidão insana! Mas o que está acontecendo é apenas a volta de alguém para casa. É muito triste por mais idosa ou doente que esteja não queremos que se vá, é um pedaço grande de nós que vai na frente e a dor é tão grande que ficamos meio alheio a tudo, como se fosse um sonho ruim, rezamos para que o sol apareça e que tudo volte a ser como antes….
Passamos a lembrar de coisas remotas, vividas em plena cumplicidade, coisas tristes e alegres…. Ouvimos nitidamente o riso dela, chegamos a senti-la mais próximo que antes….
Mas com o passar dos dias vamos nos acostumamos a certeza e a fé nós consola e passamos a conviver com essa eterna falta, como os coxos aprendem a caminhar sem uma perna, o cego sem a visão….
Vamos entendendo que a vida, desta forma, está, aos poucos, nos preparando para voltar para casa.
Primos com um afeto de irmã amorosa que lhes abraço e digo da solidariedade da minha dor... Que rezo para que o conforto chegue rápido Naquele que nos criou, nos colocou nesse mundo e que nos espera, no final da nossa jornada, com Seus braços abertos....
Um dia de domingo, dia de homenagear o Sol, o dia do Senhor, consagrado pela igreja primitiva, Constantina, e em 324 d.c., tornou-se lei. Bem antes em 164 d.c. o cristão Justino Mártir declarou: “O sábado é uma marca vergonhosa colocada sobre os judeus pelo senhor Deus, um identificador do castigo que bem merecem”. Constantino ordenou que todo império descansasse no dia do sol “Que todos os juízes, todos os habitantes da cidade, os mercadores e artífices, descansem no venerável dia do sol (die solis). Não obstante, atendam os lavradores completa liberdade ao cultivo dos campos" . Que este domingo e todos que hão de vir nos traga a reflexão em busca da paz interior e que os raios do Sol penetrem em nossos espíritos dando-nos a liberdade do amor, pois, só ele, o amor, liberta e faz de nós seres humanos... Um bom domingo para todos Umburana de Cheiro
sexta-feira, 24 de março de 2017
Ontem fiquei chocada... Sai com meu companheiro e resolvemos comer alguma coisa. Eram sete horas da noite escolhemos uma lojinha simpática que servia Açai. Nos sentamos, escolhemos o prato e ficamos a conversar aguardando... Guedes resolveu lavar as mãos e enquanto ele ficou ausente notei os gritos que vinham de uma mesa vizinha. Olhei e vi duas adolescentes que comiam, conversavam, falavam ao telefone, riam, tudo ao mesmo tempo, como só adolescentes sabem fazer. Então o telefone de uma tocou e ela atendeu da forma aborrescente de sempre: - oi, fala... O que?... Cala a boca, fala baixo (isso ela aos gritos), tá bom, tá bom.... Eu falei pra você, não viu? ... Tá doida? Fala baixo..., tá histérica? Olha o zap mãe, tá cega é? Olha o zap... Fui... E desligou dizendo para a amiga: velho, é histérica... eu falei pra ela... poxa é doida... E assim continuaram rindo, comendo, falando no celular aos gritos, tudo ao mesmo tempo... E eu pensando, quando foi que chamei minha mãe de doida? Histérica? Será que estou fora de moda?????????????????????????? Sei não!
Ser árvore, ser mulher
um pedaço de canela
erva-doce ou jasmim
na vida daquele ou daquela
Ser Maria, ou joana
Mãe, amiga e gentil
ser o fruto que se quer
ter os filhos que quiser
nos meses de maio ou abril
Ser do Sertão a sombra fresca
o perfume embriagador,
alimento em plena seca,
do mamão doce amargor...
Ter flores em pleno janeiro,
ou quem sabe em fevereiro
saber amar, como ama
a Umburana de Cheiro
um pedaço de canela
erva-doce ou jasmim
na vida daquele ou daquela
Ser Maria, ou joana
Mãe, amiga e gentil
ser o fruto que se quer
ter os filhos que quiser
nos meses de maio ou abril
Ser do Sertão a sombra fresca
o perfume embriagador,
alimento em plena seca,
do mamão doce amargor...
Ter flores em pleno janeiro,
ou quem sabe em fevereiro
saber amar, como ama
a Umburana de Cheiro
quinta-feira, 23 de março de 2017
Olhando
para esta charge me veio o seguinte questionamento: por que
relacionamos a traição conjugal com os cornos e chifres dos
animais?
No
nosso dia a dia já vimos muitos, marido serem chamados de
“chifrudos”, ouvimos muitas piadas preconceituosas e tomamos
conhecimentos de muitas tragédias em função do que esse adjetivo.
Todo significado que uma palavra adquire, fora do seu sentido
natural, está sempre ligada a fatos, circunstâncias ou situações
e assim aparecem as "gírias". O que são chifres no
sentido real? São os apêndices córneos que protegem a fronte de
certos animais, esses apêndices servem, também, para defesa. Mas,
por que na nossa cultura passa a ser, também, traição conjugal?
Muitos dizem ser por conta da figura do “capeta” que se vê
representado no catolicismo por uma figura bizarra de um ser com
chifres e rabo com um tridente na ponta. E, por ser a traição
contra um dos mandamentos de Deus, estaria bem representado, outros
preferem fazer alusão os chifres presentes no touro pela liberdade
apresentada pela vaca, ela não se limita a um único macho como
recomenda as normas sociais humanas.
Mas,
o interessante, é que nada
disto é verdade ou só a
verdade. A palavra
chifre para denominar traição conjugal tem origem legal: o
Código Filipino de 1603,
a pedido do rei Felipe II, que vigorava
no Brasil desde a sua criação
até a Independência, dizia
que todo
marido que flagrasse
a esposa em adultério e cujo
adúltero não fosse nobre, o marido "ofendido" deveria
lavar a honra matando
o seu desafeto. Se assim não o
fizesse, deveria usar em
público algo semelhante a um chapéu ornado com dois chifres, para
que todos o reconhecessem como um homem que não “honrou” a sua
condição de macho.
Mas, se o
adúltero fosse nobre, o marido traído
teria que aceitar. O código
Filipino era uma reformulação do Código Manuelino que vigorou em
Portugal e no Brasil de 1513 a 1569, mantendo
praticamente a mesma estrutura das Ordenações Manuelinas, sofrendo
vários acréscimos.
Eram cinco
livros que continham os regimentos dos magistrados, oficiais de
justiça, regulava as relações entre Estado e Igreja, continha
processo civil e comercial, direito das pessoas, das coisas e direito
penal. A medida que o país
desenvolvia a mentalidade instituída
em lei pelo Código Filipino avançou até
recentemente (final do século XX e início do século XXI) a mulher
adúltera poderia até ser presa; o homem que, casasse,
descobrisse que a mulher não era virgem poderia devolvê-la à
família e anular o matrimônio. Apesar
dessa “peça” jurídica
se tornar
sem efeito legal, a mentalidade ainda não se extinguiu no todo e
muitas pessoas que se acham
modernas se comportam tal qual como se estivessem em plena Idade
Média não é verdade?
Voltando a Charge a figura do
Congresso no lugar dos cornos do Boi, tem tudo a ver… Ou não?
Umburana de Cheiro
domingo, 19 de março de 2017
Quero falar de coisas
que simples
dessas que alegram a alma
nos trazem calma e alegria de viver...
Acordo e vejo o dia de tão lindo
é poesia que não dá para fazer
Em manchete vejo o mundo
gritos, roucos e profundos
que faz tudo estremecer
Aqui perto vejo fome
de comida, justiça, amor
daqueles que de tanta dor
já nem se sentem perecer
que simples
dessas que alegram a alma
nos trazem calma e alegria de viver...
Acordo e vejo o dia de tão lindo
é poesia que não dá para fazer
Em manchete vejo o mundo
gritos, roucos e profundos
que faz tudo estremecer
Aqui perto vejo fome
de comida, justiça, amor
daqueles que de tanta dor
já nem se sentem perecer
Quando
nasci alguém deve ter falado: é uma menina! Outros devem ter
pensado é mais uma menina... Cresci em um mundo machista e
preconceituoso e hoje, já uma avó, vejo aflita que continuo nele.
Naquele
mundo onde o que vale é a lei do mais forte... E quem é o mais
forte? O que tem mais dinheiro, o branco, o bem-apessoado...
Quem
se enquadra neste perfil? O homem varonil do meu Brasil brasileiro….
E as
meninas que ainda nascem e ainda ouvem o mesmo grito ou pensamento? É
uma menina, coitada... O que será do futuro delas além da
procriação, um Direito natural compulsório, sobre o qual não tem
nenhum Direito Legal de interromper?
Mas
tudo mudou dizem alguns. Mudou para quem? Pergunto eu. Para meninas
ricas, brancas, bonitas?
Não
é verdade, respondem alguns…. Vejam quantas são vitoriosas,
quantas fazem faculdades, quantas são famosas... Quantas? Quantas? A
bem da verdade nós, nos acostumamos com pouco, mas com tão pouco
que vibramos com as migalhas...
Pinçando
um exemplo: as cotas estão ai, batemos palmas e saímos em defesa
delas nas ruas…. Por que não saímos em defesa de um ensino
gratuito de qualidade para todos?
Por
que não se decreta o fim da escola particular? Quem quiser estudar,
rico ou pobre, teria que se matricular na escola pública….Quem não
quiser, que leve seus filhos para fora. Estudem, se formem e depois,
se quiserem voltar, terão que passar por uma revalidação de
diploma...
Fui
professora do ensino básico e do ensino superior. Ensinei em um
curso de elite (medicina) e sabe quantos cotistas encontrei? Vários,
oriundos de quais escolas? Escolas de referência, escolas militares,
escola de lugares onde só havia uma escola e nesta, estudava o filho
do Prefeito, do Juiz…. E, onde, mesmo assim, era selecionados (os
alunos) por turmas: turma A, B, C, D... Qual turma você estudava
querido? Turma A professora...
Conta-se,
nos dedos alunos que vieram de uma escola pública "comum"...
Isso só para fugir a regra...
Os
que encontrei, tiveram bolsas em escola de disciplinas isoladas, a
maioria. Outros que quiseram ou querem se formar em medicina,
procuram as escolas particulares, onde o preço exorbitante os
obrigam a dever para o resto das suas vidas ao FIES ou algo assim.
Outro
exemplo? Saúde. Nós temos o SUS, A Unidade de Saúde da Família.
Sim, mas quem procura? Apenas aqueles que tem como plano de saúde o
SUS e se veem obrigados a procurá-lo e, por conta disso, pouco
funciona... Um SUS criado por brasileiros representando todos os
municípios e classes sociais. Um SUS que tem como princípios a
Universalidade, Integralidade, Equidade... Um SUS com vocação de
plenitude, onde os planos particulares seriam apenas e tão somente
complementares... Que para se fazer bem funcionar é formado por suas
vigilâncias: a do controle das doenças transmissíveis; das
doenças e agravos não transmissíveis; a da situação de saúde,
ambiental em saúde, da saúde do trabalhador e a sanitária. A
Vigilância Sanitária daria conta de um “conjunto de ações
capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de
intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da
produção e da circulação de bens, e da prestação de serviços
do interesse da saúde, abrangendo o controle de bens de consumo,
que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde,
compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo,
e o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou
indiretamente com a saúde”. Cada dia que se passa, vemos o
desrespeito e o descaso desta Lei reconhecida pela CF88.
O
SUS é o nosso ou deveria ser o nosso fiscal maior... As suas
vigilâncias (braços) foram podados, enfraquecidos e hoje temos
esses abusos que vemos ai: carne podre, no mercado; frutos
envenenados; recrudescimento de doenças, violência, barbari…
Abrimos a caixa de Pandora e a cada acontecimento nocivo, em vez de
irmos a rua e gritarmos para fazer valer a nossa Lei, dizemos é
cortina de fumaça... é cortina de fumaça... Nunca estivemos tão
bem!!! Sei não… Umburana de Cheiro
Ob.:
para saber mais sobre o SUS
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pacto_saude_volume13.pdf
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