quinta-feira, 23 de março de 2017

Olhando para esta charge me veio o seguinte questionamento: por que relacionamos a traição conjugal com os cornos e chifres dos animais?
No nosso dia a dia já vimos muitos, marido serem chamados de “chifrudos”, ouvimos muitas piadas preconceituosas e tomamos conhecimentos de muitas tragédias em função do que esse adjetivo. Todo significado que uma palavra adquire, fora do seu sentido natural, está sempre ligada a fatos, circunstâncias ou situações e assim aparecem as "gírias". O que são chifres no sentido real? São os apêndices córneos que protegem a fronte de certos animais, esses apêndices servem, também, para defesa. Mas, por que na nossa cultura passa a ser, também, traição conjugal? Muitos dizem ser por conta da figura do “capeta” que se vê representado no catolicismo por uma figura bizarra de um ser com chifres e rabo com um tridente na ponta. E, por ser a traição contra um dos mandamentos de Deus, estaria bem representado, outros preferem fazer alusão os chifres presentes no touro pela liberdade apresentada pela vaca, ela não se limita a um único macho como recomenda as normas sociais humanas.
Mas, o interessante, é que nada disto é verdade ou só a verdade. A palavra chifre para denominar traição conjugal tem origem legal: o Código Filipino de 1603, a pedido do rei Felipe II, que vigorava no Brasil desde a sua criação até a Independência, dizia que todo marido que flagrasse a esposa em adultério e cujo adúltero não fosse nobre, o marido "ofendido" deveria lavar a honra matando o seu desafeto. Se assim não o fizesse, deveria usar em público algo semelhante a um chapéu ornado com dois chifres, para que todos o reconhecessem como um homem que não “honrou” a sua condição de macho. Mas, se o adúltero fosse nobre, o marido traído teria que aceitar. O código Filipino era uma reformulação do Código Manuelino que vigorou em Portugal e no Brasil de 1513 a 1569, mantendo praticamente a mesma estrutura das Ordenações Manuelinas, sofrendo vários acréscimos. Eram cinco livros que continham os regimentos dos magistrados, oficiais de justiça, regulava as relações entre Estado e Igreja, continha processo civil e comercial, direito das pessoas, das coisas e direito penal. A medida que o país desenvolvia a mentalidade instituída em lei pelo Código Filipino avançou até recentemente (final do século XX e início do século XXI) a mulher adúltera poderia até ser presa; o homem que, casasse, descobrisse que a mulher não era virgem poderia devolvê-la à família e anular o matrimônio. Apesar dessa “peça” jurídica se tornar sem efeito legal, a mentalidade ainda não se extinguiu no todo e muitas pessoas que se acham modernas se comportam tal qual como se estivessem em plena Idade Média não é verdade?
Voltando a Charge a figura do Congresso no lugar dos cornos do Boi, tem tudo a ver… Ou não? Umburana de Cheiro

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