sexta-feira, 7 de abril de 2017

Ela acordou com o sol queimando as suas pernas, estava ali desde cedo e a beleza do lugar não a deixara sair. Algumas pessoas a tinham convidado a dividir suas barracas, mas, ela, insistira em ficar e agora estava tremendamente queimada de sol... Levantou-se e se dirigiu ao um bar próximo atrás de uma água de coco. Tomou e aproveitou para refrescar o rosto. Depois pegou sua bolsa e saiu rumo ao hotel onde estava hospedada.
Como pode ser tão lindo assim? Se perguntava enquanto tentava mirar o horizonte. Era tudo céu e mar e em cada praia que fora, independente de onde estivesse, o mar se confundia com o céu. Aquela ilha era como um navio a navegar infinitamente no mar sem fim.
Chegando em casa retirou todo o sal do corpo. A água tinha uma densidade diferente, era mais pesada, mais salgada que de onde tinha vindo.
Colocou um short, uma blusa branca, umas rasteirinhas, peteou os longos cabelos e colocou um chapéu. Antes de sair olhou para cama e a vontade de deitar-se a surpreendeu, não vou ceder a esses desejos de desaparecimentos: dormir, ficar embolada na cama lembrando coisas passadas era um voltar para um tempo que não existia mais, pensou. Não iria se permitir a isso novamente, levantou o queixo e saiu.
A claridade a cegou momentaneamente fazendo com que ele esbarrasse em um rapaz que por ali passava.
- Eeeei, calma. Por que a pressa?
- Não é pressa é cegueira momentânea mesmo, respondeu enquanto ria e pedia desculpas
- Nossa mas você tem um sorriso lindo, disse ele.
Por um momento ela pensou em ser indelicada, mas depois lembrando das promessas feitas há pouco, decidiu continuar sorrindo.
- Olha tô indo jantar, não quer se misturar com a gente?
- A gente quem? Respondeu procurando ao redor, outras pessoas
- Meus amigos e minha namorada, eles estão me esperando no restaurante
Ela bem mais animada decidiu ir, por que não? Pensou. Ficou sabendo que o nome dele era Pedro, engenheiro, estava ali para desapegar da rotina estressante da cidade de onde vinha. Ela a apresentou a todos: Renato e Sílvia um casal de amigos que, segundo ele, eram “guardas costas e frentes” deles, devido a atenção que os dispensava.
Findo o jantar sairão para dançar, ela com uma sensação de quem está sobrando entrou no carro e sentou-se próxima a garota, cujo par, estava dirigindo.
Encontraram um Luau muito animado em uma praia bem selvagem onde se entregaram ao som do reggae. Dançaram todos com ela que aos poucos e após algumas doses consumidas, foi sentindo-se mais confiante.
De repente estava em frente a um rapaz muito alto de bermuda florida e um sorriso branco no rosto. Viu-se retribuindo o sorriso e, para se sentir mais independente do grupo, começou a conversar com ele. Estava muito envolvida na música quando ouviu um estranho som que sobressaia dos sons ali ouvidos… Inclinou a cabeça e esperou ouvir novamente.
– Não se assuste, é apenas o mar batendo nas rochas ao lado do bar.
– Mas, tão alto assim?
– Sim, estamos em cima da ponta da rocha, basicamente, e quando a maré enche ouvimos este som que nada mais é do que a passagem da água por uma falha e principalmente em noites de Lua cheia quando o repuxo é mais perceptível, quando a água é empurrada para a praia pelas ondas.
– Deve ser lindo!
- Sim mas, perigoso. O retorno da água chega a derrubar pessoas ou escavar a areia sob seus pés, e puxá-la para águas mais profundas. Quando a arrebentação é grande, uma segunda série pode encontrar a água do repuxo, criando extensa turbulência, muito perigosa e muitas vezes aqui, nesta praia, puxam uma pessoa numa distância muito curta mar adentro é preciso então muito cuidado. As vezes a beleza mata, completou:
– Quero ver!
Sem pensar ele respondeu;
– Vamos.
Saíram de mãos dados e enquanto saia, ela teve o cuidado de acenar para os amigos. A lua estava enorme e seus raios prateados cobriam todo o mar e enchendo-o de estrelas prateadas. A areia brilhava tanto que ela pensou em chorar diante de tanta beleza.
- Vou pisar as estrelas!
- Não se preocupe elas são muitas, pode pisar a vontade, não vai fazer falta, disse ele.
Quando chegaram no local onde o mar batia na rocha ele apontou e disse:
- Olha lá! O mar bate ali na rocha e entra pela falha, saindo pelo outro lado e isso faz esse som diferente.
´ - Estou impressionada daqui e sem os sons do reggae parece um grito! Dizendo isso se aproximou bastante da água.
- Venha cá, chamou ele, não se aproxime tanto! A força da água é muito forte! Dizendo isso a puxou com força para si. Talvez pelas doses de Martíni ingeridas, pela solidão de tantas noites ou pela luz da lua, ela se sentiu atraída para ele de tal forma que se desequilibrou deixa-se aninhar no seu peito e ali mesmo, como um encantamento, eles se possuíram….
Quando por fim, exaustos, felizes e, ainda, sem saberem sequer o nome um do outro, se separaram, ela correu para o mar e gritou já com água na cintura:
- Você que fique ai, eu vou dar um mergulho!
Prontamente ele levantou-se e correu em direção a ela. Mas, não teve tempo de alcançá-la, o mar em repuxo, a abraçou primeiro e em seguida, envolveu-a na sua escuridão. Ele ainda viu o seu belo rosto prateado pela Lua, seus cabelos salpicados de estrelas, e o seu grito de surpresa ao mergulhar para sempre.

Umburana de Cheiro






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