Ela
acordou com o sol queimando as suas pernas, estava ali desde cedo e a
beleza do lugar não a deixara sair. Algumas pessoas a tinham
convidado a dividir suas barracas, mas, ela, insistira em ficar e
agora estava tremendamente queimada de sol... Levantou-se e se
dirigiu ao um bar próximo atrás de uma água de coco. Tomou e
aproveitou para refrescar o rosto. Depois pegou sua bolsa e saiu rumo
ao hotel onde estava hospedada.
Como
pode ser tão lindo assim? Se perguntava enquanto tentava mirar o
horizonte. Era tudo céu e mar e em cada praia que fora, independente
de onde estivesse, o mar se confundia com o céu. Aquela ilha era
como um navio a navegar infinitamente no mar sem fim.
Chegando
em casa retirou todo o sal do corpo. A água tinha uma densidade
diferente, era mais pesada, mais salgada que de onde tinha vindo.
Colocou
um short, uma blusa branca, umas rasteirinhas, peteou os longos
cabelos e colocou um chapéu. Antes de sair olhou para cama e a
vontade de deitar-se a surpreendeu, não vou ceder a esses desejos de
desaparecimentos: dormir, ficar embolada na cama lembrando coisas
passadas era um voltar para um tempo que não existia mais, pensou.
Não iria se permitir a isso novamente, levantou o queixo e saiu.
A
claridade a cegou momentaneamente fazendo com que ele esbarrasse em
um rapaz que por ali passava.
-
Eeeei, calma. Por que a pressa?
-
Não é pressa é cegueira momentânea mesmo, respondeu enquanto ria
e pedia desculpas
-
Nossa mas você tem um sorriso lindo, disse ele.
Por
um momento ela pensou em ser indelicada, mas depois lembrando das
promessas feitas há pouco, decidiu continuar sorrindo.
-
Olha tô indo jantar, não quer se misturar com a gente?
-
A gente quem? Respondeu procurando ao redor, outras pessoas
-
Meus amigos e minha namorada, eles estão me esperando no restaurante
Ela
bem mais animada decidiu ir, por que não? Pensou. Ficou sabendo que
o nome dele era Pedro, engenheiro, estava ali para desapegar da
rotina estressante da cidade de onde vinha. Ela a apresentou a todos:
Renato e Sílvia um casal de amigos que, segundo ele, eram “guardas
costas e frentes” deles, devido a atenção que os dispensava.
Findo
o jantar sairão para dançar, ela com uma sensação de quem está
sobrando entrou no carro e sentou-se próxima a garota, cujo par,
estava dirigindo.
Encontraram
um Luau muito animado em uma praia bem selvagem onde se entregaram ao
som do reggae. Dançaram todos com ela que aos poucos e após algumas
doses consumidas, foi sentindo-se mais confiante.
De
repente estava em frente a um rapaz muito alto de bermuda florida e
um sorriso branco no rosto. Viu-se retribuindo o sorriso e, para se
sentir mais independente do grupo, começou a conversar com ele.
Estava muito envolvida na música quando ouviu um estranho som que
sobressaia dos sons ali ouvidos… Inclinou a cabeça e esperou ouvir
novamente.
– Não se assuste, é apenas o mar batendo nas rochas ao lado do
bar.
– Mas, tão alto assim?
–
Sim, estamos em cima da ponta da rocha, basicamente, e quando a maré
enche ouvimos este som que nada mais é do que a passagem da água
por uma falha e principalmente em noites de Lua cheia quando o
repuxo é mais perceptível, quando a água
é
empurrada
para a praia pelas ondas.
–
Deve ser lindo!
-
Sim mas, perigoso.
O
retorno da água chega
a
derrubar pessoas ou escavar a areia sob seus pés, e puxá-la para
águas mais profundas. Quando a arrebentação é grande, uma segunda
série pode encontrar a água do repuxo, criando extensa turbulência,
muito
perigosa e
muitas vezes aqui, nesta praia, puxam
uma
pessoa numa distância
muito curta mar adentro é
preciso então muito cuidado. As vezes a beleza mata, completou:
– Quero ver!
Sem
pensar ele respondeu;
–
Vamos.
Saíram
de mãos dados e enquanto saia, ela teve o cuidado de acenar para os
amigos. A lua estava enorme e seus raios prateados cobriam todo o mar
e enchendo-o de estrelas prateadas. A areia brilhava tanto que ela
pensou em chorar diante de tanta beleza.
-
Vou pisar as estrelas!
-
Não se preocupe elas são muitas, pode pisar a vontade, não vai
fazer falta, disse ele.
Quando
chegaram no local onde o mar batia na rocha ele apontou e disse:
-
Olha lá! O mar bate ali na rocha e entra pela falha, saindo pelo
outro lado e isso faz esse som diferente.
´ -
Estou impressionada daqui e sem os sons do reggae parece um grito!
Dizendo isso se aproximou bastante da água.
-
Venha cá, chamou ele, não se aproxime tanto! A força da água é
muito forte! Dizendo isso a puxou com força para si. Talvez pelas
doses de Martíni ingeridas, pela solidão de tantas noites ou pela
luz da lua, ela se sentiu atraída para ele de tal forma que se
desequilibrou deixa-se aninhar no seu peito e ali mesmo, como um
encantamento, eles se possuíram….
Quando
por fim, exaustos, felizes e, ainda, sem saberem sequer o nome um do
outro, se separaram, ela correu para o mar e gritou já com água na
cintura:
-
Você que fique ai, eu vou dar um mergulho!
Prontamente
ele levantou-se e correu em direção a ela. Mas, não teve tempo de
alcançá-la, o mar em repuxo, a abraçou primeiro e em seguida,
envolveu-a na sua escuridão. Ele ainda viu o seu belo rosto prateado
pela Lua, seus cabelos salpicados de estrelas, e o seu grito de
surpresa ao mergulhar para sempre.
Umburana
de Cheiro

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