Dias
desses eu estava muito estressada no Shopping, tentando pagar o IPVA
que este ano ainda não tinha chegado o carnê na minha casa.
Primeiro veio o terror: este ano o IPVA terá que ser pago em
janeiro, depois outro informe: a justiça decidiu que o IPVA vai
continuar como sempre a depender do número da placa. E nisso o tempo
passa e quando vejo final de março e IPVA atrasado. Nada de chegar o
carnê. tento pela INTERNET não consigo baixar, vou ao DETRAN e me
informam que está em greve e que sim, eu estava atrasada com o IPVA
e tenho que retirar pela INTERNET mesmo. A moça, muito solicita, me
dá um papelzinho com o passo a passo. Chego em casa, não funciona.
O Detran não reconhece o endereço, dois dias depois volto, falo com
a moça e sou informada que a greve acabou. De posse dos carnês (meu
e do marido) me dirijo ao banco, estou muito concentrada e irritada
com tudo aquilo.
De
repente escuto um grito: ô mãe! É a voz do meu filho mais velho no
meu ouvido. Paro de chofre e olho em todas as direções na esperança
de ver os seus olhos, depois, lembro que ele está longe e que tudo
não passa do consciente ou inconsciente ou ainda subconsciente me
pregando peça. Mãe é assim, está sempre antena em perfeita
conexão com os filhos estressada ou não. Vira e mexe o está
ouvindo e vendo pessoas parecidas com eles. Acontece também com
pessoas a quem queremos bem ou que, de alguma forma, precisam morar
na nossa lembrança. Por que será que não vemos, com a mesma
frequência, pessoas estranhas, parecidas com os nossos desafetos?
Pensei: Isso daria uma boa conversa com lacanianos e froideanos.
Outro
dia estava sentada esperando ser atendida em uma Instituição,
quando para em minha frente, muito feliz um senhorzinho. Ele olha
para mim, cheio de amor diz:
–
Zinha! Como vai?
–
Eu vou bem, respondo na bucha
–
E Dedé, me dê notícias de Dedé, homem, pelo amor de Deus me diga,
como vai ele?
-
Olha, acredito que ele vai bem, do contrário, o sr saberia não é
verdade? Notícias ruins correm
Ele
olhou bem para mim e continuou:
-
Menina, você não está lembrada de mim? Mudei tanto assim? Sou
compadre de Dedé que é casado com Edvirgens... Acredito que sou até
seu padrinho.
Ai,
eu vi que a coisa estava ficando séria e calmamente falei;
–
Por que o Senhor não se senta para conversarmos melhor?
-
Não, tô com pressa. Parei apenas para saber do Dedé, Ah meu Deus!
Que dia abençoado. E apontava para o céu como em oração. Isso
algumas pessoas já olhavam a cena tentando entender.
-
Senhor, sinto muito, eu não sou Zinha e mais, não sei de quem o
senhor está falando. Eu, francamente, não estou lembrada e não
conheço nenhuma dessas pessoas, infelizmente.
Ele
pobrezinho, calou-se e depois de me olhar bem, começou a pedir
desculpas e a se justificar para as pessoas que sorriam sem dó nem
piedade. Enquanto ele se explicava eu ficava pensando: do que ele
está se desculpado? Qual o problema se o amor dele pelo compadre é
tanto que vê pessoas de seu relacionamento por toda a parte? Imagine
a vontade deste velhinho em rever ou saber do amigo querido? Quando
dei por mim ele já estava saindo decepcionado enquanto dizia
baixinho: é toda a Zinha da Edvirgens, é a cópia fiel….a cópia
fiel... Umburana de Cheiro

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