quarta-feira, 5 de abril de 2017

Dias desses eu estava muito estressada no Shopping, tentando pagar o IPVA que este ano ainda não tinha chegado o carnê na minha casa. Primeiro veio o terror: este ano o IPVA terá que ser pago em janeiro, depois outro informe: a justiça decidiu que o IPVA vai continuar como sempre a depender do número da placa. E nisso o tempo passa e quando vejo final de março e IPVA atrasado. Nada de chegar o carnê. tento pela INTERNET não consigo baixar, vou ao DETRAN e me informam que está em greve e que sim, eu estava atrasada com o IPVA e tenho que retirar pela INTERNET mesmo. A moça, muito solicita, me dá um papelzinho com o passo a passo. Chego em casa, não funciona. O Detran não reconhece o endereço, dois dias depois volto, falo com a moça e sou informada que a greve acabou. De posse dos carnês (meu e do marido) me dirijo ao banco, estou muito concentrada e irritada com tudo aquilo.
De repente escuto um grito: ô mãe! É a voz do meu filho mais velho no meu ouvido. Paro de chofre e olho em todas as direções na esperança de ver os seus olhos, depois, lembro que ele está longe e que tudo não passa do consciente ou inconsciente ou ainda subconsciente me pregando peça. Mãe é assim, está sempre antena em perfeita conexão com os filhos estressada ou não. Vira e mexe o está ouvindo e vendo pessoas parecidas com eles. Acontece também com pessoas a quem queremos bem ou que, de alguma forma, precisam morar na nossa lembrança. Por que será que não vemos, com a mesma frequência, pessoas estranhas, parecidas com os nossos desafetos? Pensei: Isso daria uma boa conversa com lacanianos e froideanos.
Outro dia estava sentada esperando ser atendida em uma Instituição, quando para em minha frente, muito feliz um senhorzinho. Ele olha para mim, cheio de amor diz:
– Zinha! Como vai?
– Eu vou bem, respondo na bucha
– E Dedé, me dê notícias de Dedé, homem, pelo amor de Deus me diga, como vai ele?
- Olha, acredito que ele vai bem, do contrário, o sr saberia não é verdade? Notícias ruins correm
Ele olhou bem para mim e continuou:
- Menina, você não está lembrada de mim? Mudei tanto assim? Sou compadre de Dedé que é casado com Edvirgens... Acredito que sou até seu padrinho.
Ai, eu vi que a coisa estava ficando séria e calmamente falei;
– Por que o Senhor não se senta para conversarmos melhor?
- Não, tô com pressa. Parei apenas para saber do Dedé, Ah meu Deus! Que dia abençoado. E apontava para o céu como em oração. Isso algumas pessoas já olhavam a cena tentando entender.
- Senhor, sinto muito, eu não sou Zinha e mais, não sei de quem o senhor está falando. Eu, francamente, não estou lembrada e não conheço nenhuma dessas pessoas, infelizmente.

Ele pobrezinho, calou-se e depois de me olhar bem, começou a pedir desculpas e a se justificar para as pessoas que sorriam sem dó nem piedade. Enquanto ele se explicava eu ficava pensando: do que ele está se desculpado? Qual o problema se o amor dele pelo compadre é tanto que vê pessoas de seu relacionamento por toda a parte? Imagine a vontade deste velhinho em rever ou saber do amigo querido? Quando dei por mim ele já estava saindo decepcionado enquanto dizia baixinho: é toda a Zinha da Edvirgens, é a cópia fiel….a cópia fiel... Umburana de Cheiro

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