"Nego
d'água” me chamou
de
cima da ribanceira
queria
mostrar o rio
naquela
hora primeira
era
bem manhãzinha
o
sol ainda estava frio
o
rio silencioso
soluçava
no baixio...
Senti
a dor das águas
a
se arrastando pelas pedras
o
medo do “Nego d'água”
em
desaparecer na terra
sem
deixar sequer, de seu,
as
lembranças nas donzelas…
Ouvi
o canto triste
de
um sabiá brejeiro
saudoso
despedia-se do rio
que
em um sumidouro penetrava
voltando
ao útero da terra
Pensei
nas serpentes aladas
amarradas
pelos fios
da
cabeça da Santa Virgem,
que
aos poucos se quebravam
nas
entranhas do meu rio,
Chorei
antecipando
as
lágrimas dos ribeirinhos
dormindo
os sonos instáveis
que
antecedem aos pesadelos...
Molhei
o rio com minhas lágrimas
pedi
perdão ao “Nego d' água’'
mergulhei
por inteiro
libertando
de uma vez
a
serpente assujeitada
Umburana
de Cheiro

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