Quando
nasci alguém deve ter falado: é uma menina! Outros devem ter
pensado é mais uma menina... Cresci em um mundo machista e
preconceituoso e hoje, já uma avó, vejo aflita que continuo nele.
Naquele
mundo onde o que vale é a lei do mais forte... E quem é o mais
forte? O que tem mais dinheiro, o branco, o bem-apessoado...
Quem
se enquadra neste perfil? O homem varonil do meu Brasil brasileiro….
E as
meninas que ainda nascem e ainda ouvem o mesmo grito ou pensamento? É
uma menina, coitada... O que será do futuro delas além da
procriação, um Direito natural compulsório, sobre o qual não tem
nenhum Direito Legal de interromper?
Mas
tudo mudou dizem alguns. Mudou para quem? Pergunto eu. Para meninas
ricas, brancas, bonitas?
Não
é verdade, respondem alguns…. Vejam quantas são vitoriosas,
quantas fazem faculdades, quantas são famosas... Quantas? Quantas? A
bem da verdade nós, nos acostumamos com pouco, mas com tão pouco
que vibramos com as migalhas...
Pinçando
um exemplo: as cotas estão ai, batemos palmas e saímos em defesa
delas nas ruas…. Por que não saímos em defesa de um ensino
gratuito de qualidade para todos?
Por
que não se decreta o fim da escola particular? Quem quiser estudar,
rico ou pobre, teria que se matricular na escola pública….Quem não
quiser, que leve seus filhos para fora. Estudem, se formem e depois,
se quiserem voltar, terão que passar por uma revalidação de
diploma...
Fui
professora do ensino básico e do ensino superior. Ensinei em um
curso de elite (medicina) e sabe quantos cotistas encontrei? Vários,
oriundos de quais escolas? Escolas de referência, escolas militares,
escola de lugares onde só havia uma escola e nesta, estudava o filho
do Prefeito, do Juiz…. E, onde, mesmo assim, era selecionados (os
alunos) por turmas: turma A, B, C, D... Qual turma você estudava
querido? Turma A professora...
Conta-se,
nos dedos alunos que vieram de uma escola pública "comum"...
Isso só para fugir a regra...
Os
que encontrei, tiveram bolsas em escola de disciplinas isoladas, a
maioria. Outros que quiseram ou querem se formar em medicina,
procuram as escolas particulares, onde o preço exorbitante os
obrigam a dever para o resto das suas vidas ao FIES ou algo assim.
Outro
exemplo? Saúde. Nós temos o SUS, A Unidade de Saúde da Família.
Sim, mas quem procura? Apenas aqueles que tem como plano de saúde o
SUS e se veem obrigados a procurá-lo e, por conta disso, pouco
funciona... Um SUS criado por brasileiros representando todos os
municípios e classes sociais. Um SUS que tem como princípios a
Universalidade, Integralidade, Equidade... Um SUS com vocação de
plenitude, onde os planos particulares seriam apenas e tão somente
complementares... Que para se fazer bem funcionar é formado por suas
vigilâncias: a do controle das doenças transmissíveis; das
doenças e agravos não transmissíveis; a da situação de saúde,
ambiental em saúde, da saúde do trabalhador e a sanitária. A
Vigilância Sanitária daria conta de um “conjunto de ações
capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de
intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da
produção e da circulação de bens, e da prestação de serviços
do interesse da saúde, abrangendo o controle de bens de consumo,
que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde,
compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo,
e o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou
indiretamente com a saúde”. Cada dia que se passa, vemos o
desrespeito e o descaso desta Lei reconhecida pela CF88.
O
SUS é o nosso ou deveria ser o nosso fiscal maior... As suas
vigilâncias (braços) foram podados, enfraquecidos e hoje temos
esses abusos que vemos ai: carne podre, no mercado; frutos
envenenados; recrudescimento de doenças, violência, barbari…
Abrimos a caixa de Pandora e a cada acontecimento nocivo, em vez de
irmos a rua e gritarmos para fazer valer a nossa Lei, dizemos é
cortina de fumaça... é cortina de fumaça... Nunca estivemos tão
bem!!! Sei não… Umburana de Cheiro
Ob.:
para saber mais sobre o SUS
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pacto_saude_volume13.pdf

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