Sempre as sextas
Na
calada da noite ela via a lua chegar, sempre sentada na varanda as
horas escorrendo tão vagarosamente que pareciam não terminar. Era
sempre assim em noites de lua cheia quando ele saia, para visitar os
amigos, ou quem sabe virar bicho. Riu, para si mesmo, pelo pensamento
enviesado…. Às sextas-feiras era o dia dele se encontrar com os
amigos, colocar a conversa em dia, tomar uma cervejinha, desopilar.
Era assim que ele justificava, desopilar...
Virar
bicho ficou lá nas histórias do passado junto a tantas outras de
almas penadas… Talvez fosse a lua, pensou, Eram em noites iguais
as essas que sempre ouvia aquelas histórias.
Olhou
o relógio pela enésima vez e viu que já era tarde, passava das
vinte e duas. Resolveu entrar, tomar um banho e ler um pouco, ele
certamente se atrapalhou com a hora. Não sentia ciúmes, sempre
acreditou que, entre pessoas adultas, não precisava de subterfúgios
ou mentiras. Mas, ele vinha se atrasando já a um bom tempo, isso ela
já tinha notado.
De
volta a sala já tomado o banho e já lido uma revista quase toda, o
coração acelera, para e fica a ouvir ele chegar. Observa que o
coração ainda dispara apesar dos anos juntos.
—
Oi, você, ainda acordada? Desculpa, não vi a hora passar
—
Realmente, fica difícil vê as horas quando estamos enredados em
coisas importantes. Observou olhando para ele displicentemente.
Ele
se aproximou um pouco e ela se encostou no seu ombro sendo,
automaticamente, afastada por ele.
—
Você me assustou!
—
Não quis assustá-la, apenas estou suado e você está com cara que
saiu do banho, respondeu ele.
Foram
ambos para o quarto, ele dirigindo-se ao banheiro enquanto deixava
pelo caminho sapatos, roupas e gritava:
—
Tem alguma coisa feita? Tô com fome de bicho
—
Vou providenciar, respondeu sorrindo e dirigindo-se para a cozinha…
era algo conhecido esse comportamento, entre eles.
Lanche
pronto para dois, mesa posta, volta para chamá-lo. Ele nu, a abraça
e faz o amor previsível. Depois voltam para o banheiro e tomam
banho, juntos, Ao voltar para o quarto ela vê o telefone dele a
vibrar e piscar. Pega-o observa que há mensagem no zap, curiosa o
entrega enquanto pergunta?
—
Quem será, esta hora?
—
Não sei, preciso abrir primeiro
Abri
a mensagem e fita desconcertado o celular
—
Diz, quem é? Insiste, agora mais assustada que curiosa.
Ele
não fala nada, está transtornado. Simplesmente entrega para ela o
telefone. Ela lê a mensagem e completamente surpresa, o olha sem
nada dizer. Baixa a cabeça e passam são cinco anos de vida em
comum, dividindo tudo: despesas, alegrias, medos. Cinco anos de amor
dedicados por ela sem nenhum questionamento. Um casamento perfeito
segundos os amigos mais invejosos. Renuncia de viagens, filhos,
amizades desfeitas. Lê mais uma vez, como quem quer confirmar o que
vê. Para, olha fixamente para ele e diz nervosamente:
—
Corre, corre, seu filho esta nascendo
—
Não pense… Começa ele a falar, como quem quer justificar algo.
Ela o interrompe com os olhos ainda fixo na mensagem.
—
Não penso, termino! Hoje, aqui, agora, algo que nunca existiu ou
quem sabe até existiu, mais que já deve ter terminado há muito
tempo e eu não percebi.
Ela
simplesmente, engole a decepção, devolve o celular, pega a bolsa e
saiu, deixando-o além de surpreso intrigado com o que via.
Umburana
de Cheiro
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