Uma imagem no espelho é muito mais que um reflexo. É o espirito capturado em um momento de deslise... Ser generosa consigo próprio é aceitar amorosamente aquela outra que lhe sorri ou chora...
Amar-se como se é, é renunciar aquela que construímos aos poucos para satisfazer uma ideia. Para melhor conviver ou responder demandas...
Ser fiel a se próprio se torna tão difícil que quando, por um lapso, deixamo-nos vir a tona, nos surpreendemos e falamos, como que para justificar: não estava em mim... Perdoa, mas não sei o que deu em mim...
A medida que envelhecemos vamos, também, nos fragilizando... vamos colocando para fora aquele outro ser aprisionado, camuflado. Por isso ouvimos tanto: mas como pode se transformar assim? Acredito que existem duas ou três situações, no máximo, em que nos revelamos sem reservas: quando crianças ali até no máximo sete anos, quando estamos tão idosos ao ponto de nada fazermos sem a ajuda de outro ou quando estamos extremamente doentes.
E muitas vezes até convocamos este ser interior, deixamos que ele nos aconselhe, mas é apenas por momentos, instantes em que nos pegamos relaxados. Logo, logo balançamos a cabeça e ordenamos que retorne a sua prisão e lá fique inerte.
Afora essas situações somos aquele que o outro espera e a cada dia mais nos esforçamos para melhorar e ser perfeitos para os pais, irmãos, amigos, colegas de trabalho e demais...
Isso tudo só mostra a nossa covardia, o nosso medo de não ser aceito, amado, desejado... Nossa busca é pela perfeição não do nosso eu e sim daquele eu implantado, usurpador de mim.
Umburana de Cheiro.

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