Era
uma vez um cãozinho azul. Ele era muito pequeno, mais tão pequeno
que quando nasceu sua mãe nem percebeu. Ele entre os filhotes mamava
tranquilamente sem precisar quase competir. Qualquer tantinho de
leite, era suficiente para satisfazê-lo.
Um
dia sua mamãe estava dormindo quando sentiu uma cócega na barriga e
intrigada baixou o focinho até o lugar latejante… E não era o tal
filhote? Tinha esperado todos os irmãos se saciarem e saírem para
se deliciar.
—
Mas o que você está fazendo ai criatura? Por que não foi com seus
irmãos brincar?
O
filhote meigamente respondeu:
-
Eu tava com fome e agora eles estão muito longe para minhas
perninhas alcançar, então é melhor esperar aqui em sua barriguinha
entre uma mamada e outra.
A
mãe sorriu muito da desenvoltura do cãozinho se aconchegou mais a
ele… E assim os dias se passaram e os irmãos começaram a sentir
ciúmes do cãozinho.
—
Porqueirinha vamos brincar? Chamavam só para o irritar. Ele revirava
os olhinhos e dizia:
-
quero não, tô cansado….tô com sono, sempre uma desculpa.
Chegou
o dia da mãe levá-los para caçar. Eles já estavam bem grandinhos,
os machos já levantavam a perninha para fazer xixi. Chamou todos e
deu as primeiras instruções: olhem sempre para onde andam… Vocês
meninos, deem uma mijada em cada canto saliente, cada árvore ou
poste que verem
-
Por que mãezinha?
—
Para afugentar os outros e mostrar que já tiveram ali e que ali é
um território de vocês.
E
nós mãezinha? Perguntou as cadelinhas
—
vocês esperem mais um pouco para lançar o seu cheiro.
O
porqueirinha como passou a ser chamado, tinha crescido um pouquinho,
mais toados as vezes que ia dar uma mijada e levantava a perna, caia
e era uma risadaria cruel.
Assim
Porqueirinha foi ficando cada vez mais recluso, mais tímido até não
sair mais de casa.
Certo
dia estava em casa quando ouviu um barulhinho, curioso começou a
fuçar e olhar por baixo dos móveis e nos cantos das paredes e de
repente ele viu o causador do barulho. Era um gatinho cujo o rabo era
bem maior que ele.
Porqueirinha
quando viu aquilo ficou com medo, deu um pulo e correu para os braços
da mãe. Os irmão começaram a rir e a gritar: Porqueirinha,
Porqueirinha você não é de nada!!!
A
mãe aflita falou: meu filho é o gato que tem que ter medo de você
e não o contrário..
-
Mas mãezinha ele é muito feio!
Enquanto
isso o gatinho tinha se escondido embaixo da mãe com medo dos
cachorros. Ele tremia de lá e Porqueirinha de cá. Os irmãos, vendo
aquilo, aproveitaram para ameaçar os dois, babando e latindo
desesperadamente.
A
mãe do gatinho, uma gata bravíssima, não se fez de rogada:
arrepiou-se, dobrando quase de tamanho, arreganhou os dentes, amolou
as unhas e partiu para cima dos cãezinhos, que apavorados corriam e
latiam ao mesmo tempo, enquanto atacavam e recuavam se molhando de
xixi com medo.
A
mãe que tudo assistia, resolveu acabar com aquilo de uma vez. Chamou
todos para uma reunião e disse:
-
O que vocês são?
-
Cães, responderam todos
E
cães fazem o que?
- Matam gatos….
-
Por que? Insiste a mãezinha
-
Porque é da nossa natureza
-
Não é verdade. O fato é que ele, com aqueles movimentos dele,
chamam a nossa atenção, nos confundem, parece um delicioso petisco
que está fugindo de nós, não é isso? E ai nós os atacamos. Mas
isso não significa que temos que assustar, ferir ou matar
indiscriminadamente, só de raiva ou para mostrar que somos valentes.
E vamos parar de chatear o irmão de vocês. Ter medo de gatos não
significa que é mole não. Vocês mesmos estavam morrendo de medo da
mãe do gatinho, latindo apenas para chamar a atenção não é
verdade? Todos nós temos medo e é o medo que nos livra de muitas
coisas que não conhecemos e que são perigosas.
Então
a partir daquele dia todos passaram a respeitar o cãozinho pequeno e
não ter vergonha de ter medo.
Umburana
de Cheiro

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