O
Executivo
Os
dois se viam sempre, de longe, pois os seus caminhos diários
coincidiam. Ela ia ao trabalho e ele, quem sabe? Muito elegante de
blazer e gravata, pasta marrom combinando com os sapatos! Executivo,
ela pensava e nos cabelos ele tinha aquele grisalho luminoso e
revelador… Se encontravam no elevador e no café que ficava embaixo
do prédio… Nunca a olhava, diretamente, as colegas e amigas diziam
que ele não lhe tirava os olhos… Ai, quem dera! Pensava ela.
Ninguém, sabia o certo quem era, uns dizia que era o Diretor-Geral
da empresa, outros, diziam que era apenas um executivo de outra
empresa que vinha para participar de algumas reuniões comuns.
Outros, ainda, iam mais longe, não era ninguém menos que o sócio
majoritário de uma grande empresa que tinha um escritório naquela
ala do prédio… E ela, cada dia mais interessada, era apenas a
psicóloga de uma clínica que funcionava no décimo oitavo andar!
Ele estava sempre sozinho, tomava um cafezinho, fazia uma hora e
depois pegava o elevador. Certa vez ela o encontrou no elevador,
cumprimentou, mas ele apenas fez um gesto com a cabeça e quando
chegou ao seu destino saiu sem nada falar… Depois de dias e de
várias tentativas de aproximação, soube por intermédio de um
funcionário, da dita empresa que ele trabalhava, seu nome. Era
Mário… De que perguntou? Não sei respondeu, sei apenas que é
Mário, por que você quer saber? Perguntou desconfiado o tal
funcionário. Ela justificou que ele parecia muito com alguém que
tinha conhecido no passado… E assim, os dias foram passando e ela
cada dia caprichava mais no visual e ela nada “via”. Certo dia,
por sorte ou azar, ela o encontrou, novamente, no elevador.
Cumprimentou-o, como de costume, mas, não ouviu a resposta. O
elevador estava cheio, mesmo assim ela sentiu o perfume forte que
emanava de sua loção pós-barba, e sem entender porque, ficou de
pernas bambas… Chegando no quarto andar, de um prédio de trinta e
dois, muitos desceram, mas, ele continuou. Quando chegou no décimo
segundo andar, tinham apenas três pessoas, com ela, no elevador. Ela
começou a ficar nervosa, sentiu que ele, pela primeira vez, a olhava
fixamente! No décimo quinto andar, ela ia para o vigésimo segundo,
o rapaz que estava com eles desceu… Ela trêmula pensou: agora ele
vai falar….Mas para sua frustração, ele, nada falou e o elevador
continuou a subir. No décimo sétimo andar o elevador parou… A luz
apagou e ela, com o susto, deixou cair no chão sua bolsa e
automaticamente se encostou, ofegante, na parede. Foi quando sentiu
um grande aperto, ele a abraçou com um só braço, forçou seu
rosto, a possuiu e a beijou com força, impedindo-a de falar. Com a
outra mão a apunhalou, ali mesmo, no seu coração. Depois, a luz
por encanto, voltou e a parta do elevador se abriu e ele saiu
normalmente deixando-a atônita, desarrumada, impregnada de seu
perfume e borrada de batom, mas, completamente intacta.
Umburana
de Cheiro

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