A
mesa estava lá no lugar de sempre, no centro! Mas, alguma coisa
estava fora do lugar, naquela sala… Me parecia, naquele momento,
bem maior, triste e vazia. Quando você olhava mais apuradamente
encontrava um jarro com flores, um cinzeiro, cadeira postas e um
lindo lustre a iluminá-la.
A
mesa estava lá e com ela toda a composição da sala: o armário das
louças, a cristaleira cheia de cristais e lembranças acumuladas ao
longo do tempo: um lindo elefante de louça, doado como presente de
aniversário, saudava tristemente com a calda virada para a rua. Um
conjunto de copos altos e colorido de cristal doação dos filhos, de
um dia das mães de um ano qualquer, destacava-se entre doceiras
delicadas, bibelôs e outras peças.
A
TV, estava muda, ausente da cena, mesmo ali a minha frente…. Nas
paredes telas antigas: o quadro de Jesus no Monde das Oliveiras a
meditar e uma folhinha pendurada chamava a tenção pela data
atrasada.
A
fruteira cheia de bananas, maçãs e abacaxis, perfumava a sala e a
geladeira com o seu antigo pinguim fazendo companhia ao
liquidificador, parecia com seu barulho, querer chamar a atenção
para suas ausências interior: ambrosia, umbuzada, pavê de biscoito
maria...
No
canto da sala encontrava-se acima do lavabo o chifre de veado com a
toalha de mão empendurada.
Ouvi,
sem dificuldades, sons alegres celebrando a minha chegada, mas aquela
sala infinita continuava muda. Novamente passei os olhos e
estarrecida revi a cadeira, vazia…. Para sempre vazia de você, meu
amor...
Umburana
de Cheiro

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