segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017


A mesa estava lá no lugar de sempre, no centro! Mas, alguma coisa estava fora do lugar, naquela sala… Me parecia, naquele momento, bem maior, triste e vazia. Quando você olhava mais apuradamente encontrava um jarro com flores, um cinzeiro, cadeira postas e um lindo lustre a iluminá-la.

A mesa estava lá e com ela toda a composição da sala: o armário das louças, a cristaleira cheia de cristais e lembranças acumuladas ao longo do tempo: um lindo elefante de louça, doado como presente de aniversário, saudava tristemente com a calda virada para a rua. Um conjunto de copos altos e colorido de cristal doação dos filhos, de um dia das mães de um ano qualquer, destacava-se entre doceiras delicadas, bibelôs e outras peças.

A TV, estava muda, ausente da cena, mesmo ali a minha frente…. Nas paredes telas antigas: o quadro de Jesus no Monde das Oliveiras a meditar e uma folhinha pendurada chamava a tenção pela data atrasada.

A fruteira cheia de bananas, maçãs e abacaxis, perfumava a sala e a geladeira com o seu antigo pinguim fazendo companhia ao liquidificador, parecia com seu barulho, querer chamar a atenção para suas ausências interior: ambrosia, umbuzada, pavê de biscoito maria...

No canto da sala encontrava-se acima do lavabo o chifre de veado com a toalha de mão empendurada.

Ouvi, sem dificuldades, sons alegres celebrando a minha chegada, mas aquela sala infinita continuava muda. Novamente passei os olhos e estarrecida revi a cadeira, vazia…. Para sempre vazia de você, meu amor...


Umburana de Cheiro

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