sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017


Eu e o rio

Quando penso na minha infância
vejo logo a figura de um rio
célere, gordo, rico, alegre
correndo rumo ao norte….
Nascido lá nas Canastras, curioso joga-se em pleno ar
formando cachoeiras e corredeiras
encantando os povos de cá,
escolhendo o caminho mais longo
para seu sonho realizar...
E a medida que avança, vai recebendo
as águas daqueles que se entregam, são rios com
vocação de rio a um rio com vocação de mar
Depois de saciar a sede de tantos ribeirinhos
acender luz, despachar sombras, continua
o seu caminho….
Então quase já saciado para escutando um chamado!
insolente e orgulhoso
faz uma curva fenomenal
como quem quer voltar para casa
rasgando o manguezal.
Mas, num ato de teimosia ou bravura,
aprendido com os filhos do norte,
desiste se acasalando com o mar
mostrando a todos a sorte
de se poder amar
ricos, negros, índios e pobres….
No início existe um medo, de virgens, que no abraço o mar o devore
mas, como todo casamento o amor a todas arestas dissolve
o rio vira mar e o mar fica mais doce, generoso e nobre….

Umburana de Cheiro
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