Eu e o rio
Quando penso na
minha infância
vejo logo a figura
de um rio
célere, gordo,
rico, alegre
correndo rumo ao
norte….
Nascido lá nas
Canastras, curioso joga-se em pleno ar
formando cachoeiras
e corredeiras
encantando os povos
de cá,
escolhendo o caminho
mais longo
para seu sonho
realizar...
E a medida que
avança, vai recebendo
as águas daqueles
que se entregam, são rios com
vocação de rio a
um rio com vocação de mar
Depois de saciar a
sede de tantos ribeirinhos
acender luz,
despachar sombras, continua
o seu caminho….
Então quase já
saciado para escutando um chamado!
insolente e
orgulhoso
faz uma curva
fenomenal
como quem quer
voltar para casa
rasgando o
manguezal.
Mas, num ato de
teimosia ou bravura,
aprendido com os
filhos do norte,
desiste se
acasalando com o mar
mostrando a todos a
sorte
de se poder amar
ricos, negros,
índios e pobres….
No início existe um
medo, de virgens, que no abraço o mar o devore
mas, como todo
casamento o amor a todas arestas dissolve
o rio vira mar e o
mar fica mais doce, generoso e nobre….
Umburana de Cheiro

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