Gostei tanto da homenagem da Google, que resolvi, guardar! Carnaval Brasil 2017.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Hoje,
terça-feira de Carnaval, ou terça gorda ou ainda Mardi
Gras, como comumente
é chamado em países católicos, teve esse nome na idade média por
ser o dia anterior as Cinzas o início da Quaresma. Era o dia em que
os fiéis procuravam seus sacerdotes para serem absorvidos dos seus
pecados, o shriven, com a finalidade de começar a Quaresma com a
alma purificada e começar o jejum da carne.
Talvez
por conta disso surgiu também, no século 11 a expressão latina
carnem
levare ou
adeus
à carne! Com a passagem do tempo tal palavra, carnem levare, virou
Carnaval. Esse jejum
só terminaria na Páscoa a maior festa Cristã 40 dias depois.
Também, nessa época, começou o recolhimento da gordura da carne
para utilizá-la na fritura de massas, as tradicionais panquecas, que
os alimentaria.
Alguns
países essa data é comemorada durante todo o carnaval, quando o
povo passa comer tudo aquilo de vai fazer abstinência em
solidariedade ao sofrimento de Cristo.
Em
1976, num dia de terça-feira de Carnaval ou terça-gorda, dei
entrada no Centro Cirúrgico ada Pró-Matre, em Juazeiro-BA, para dar
a luz a um ser de luz. Não sabia o sexo pois, ainda não havia
tecnologia para identificação dos sexos em Petrolina/Juazeiro.
Sabia que seria ou Pierrô ou Colombina… A maior torcida era para o
Pierrô e assim aconteceu. Nasceu chamado José Carlos Inojosa Barros
Júnior era dia 24 de fevereiro daquele ano e eu nunca mais fui a
mesma.
Talvez
por isso ele seja uma pessoa festiva, carnívora, extremamente
generosa e claro, perdoável. Meu filho que vive muito longe e tão
próximo de mim. Cada dia aprendo mais com ele e espero que um dia
ele encontre o que tanto almeja e tenta possibilitar ao outro, a
felicidade.
Umburana
de Cheiro.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Era
uma vez um cãozinho azul. Ele era muito pequeno, mais tão pequeno
que quando nasceu sua mãe nem percebeu. Ele entre os filhotes mamava
tranquilamente sem precisar quase competir. Qualquer tantinho de
leite, era suficiente para satisfazê-lo.
Um
dia sua mamãe estava dormindo quando sentiu uma cócega na barriga e
intrigada baixou o focinho até o lugar latejante… E não era o tal
filhote? Tinha esperado todos os irmãos se saciarem e saírem para
se deliciar.
—
Mas o que você está fazendo ai criatura? Por que não foi com seus
irmãos brincar?
O
filhote meigamente respondeu:
-
Eu tava com fome e agora eles estão muito longe para minhas
perninhas alcançar, então é melhor esperar aqui em sua barriguinha
entre uma mamada e outra.
A
mãe sorriu muito da desenvoltura do cãozinho se aconchegou mais a
ele… E assim os dias se passaram e os irmãos começaram a sentir
ciúmes do cãozinho.
—
Porqueirinha vamos brincar? Chamavam só para o irritar. Ele revirava
os olhinhos e dizia:
-
quero não, tô cansado….tô com sono, sempre uma desculpa.
Chegou
o dia da mãe levá-los para caçar. Eles já estavam bem grandinhos,
os machos já levantavam a perninha para fazer xixi. Chamou todos e
deu as primeiras instruções: olhem sempre para onde andam… Vocês
meninos, deem uma mijada em cada canto saliente, cada árvore ou
poste que verem
-
Por que mãezinha?
—
Para afugentar os outros e mostrar que já tiveram ali e que ali é
um território de vocês.
E
nós mãezinha? Perguntou as cadelinhas
—
vocês esperem mais um pouco para lançar o seu cheiro.
O
porqueirinha como passou a ser chamado, tinha crescido um pouquinho,
mais toados as vezes que ia dar uma mijada e levantava a perna, caia
e era uma risadaria cruel.
Assim
Porqueirinha foi ficando cada vez mais recluso, mais tímido até não
sair mais de casa.
Certo
dia estava em casa quando ouviu um barulhinho, curioso começou a
fuçar e olhar por baixo dos móveis e nos cantos das paredes e de
repente ele viu o causador do barulho. Era um gatinho cujo o rabo era
bem maior que ele.
Porqueirinha
quando viu aquilo ficou com medo, deu um pulo e correu para os braços
da mãe. Os irmão começaram a rir e a gritar: Porqueirinha,
Porqueirinha você não é de nada!!!
A
mãe aflita falou: meu filho é o gato que tem que ter medo de você
e não o contrário..
-
Mas mãezinha ele é muito feio!
Enquanto
isso o gatinho tinha se escondido embaixo da mãe com medo dos
cachorros. Ele tremia de lá e Porqueirinha de cá. Os irmãos, vendo
aquilo, aproveitaram para ameaçar os dois, babando e latindo
desesperadamente.
A
mãe do gatinho, uma gata bravíssima, não se fez de rogada:
arrepiou-se, dobrando quase de tamanho, arreganhou os dentes, amolou
as unhas e partiu para cima dos cãezinhos, que apavorados corriam e
latiam ao mesmo tempo, enquanto atacavam e recuavam se molhando de
xixi com medo.
A
mãe que tudo assistia, resolveu acabar com aquilo de uma vez. Chamou
todos para uma reunião e disse:
-
O que vocês são?
-
Cães, responderam todos
E
cães fazem o que?
- Matam gatos….
-
Por que? Insiste a mãezinha
-
Porque é da nossa natureza
-
Não é verdade. O fato é que ele, com aqueles movimentos dele,
chamam a nossa atenção, nos confundem, parece um delicioso petisco
que está fugindo de nós, não é isso? E ai nós os atacamos. Mas
isso não significa que temos que assustar, ferir ou matar
indiscriminadamente, só de raiva ou para mostrar que somos valentes.
E vamos parar de chatear o irmão de vocês. Ter medo de gatos não
significa que é mole não. Vocês mesmos estavam morrendo de medo da
mãe do gatinho, latindo apenas para chamar a atenção não é
verdade? Todos nós temos medo e é o medo que nos livra de muitas
coisas que não conhecemos e que são perigosas.
Então
a partir daquele dia todos passaram a respeitar o cãozinho pequeno e
não ter vergonha de ter medo.
Umburana
de Cheiro
A
mesa estava lá no lugar de sempre, no centro! Mas, alguma coisa
estava fora do lugar, naquela sala… Me parecia, naquele momento,
bem maior, triste e vazia. Quando você olhava mais apuradamente
encontrava um jarro com flores, um cinzeiro, cadeira postas e um
lindo lustre a iluminá-la.
A
mesa estava lá e com ela toda a composição da sala: o armário das
louças, a cristaleira cheia de cristais e lembranças acumuladas ao
longo do tempo: um lindo elefante de louça, doado como presente de
aniversário, saudava tristemente com a calda virada para a rua. Um
conjunto de copos altos e colorido de cristal doação dos filhos, de
um dia das mães de um ano qualquer, destacava-se entre doceiras
delicadas, bibelôs e outras peças.
A
TV, estava muda, ausente da cena, mesmo ali a minha frente…. Nas
paredes telas antigas: o quadro de Jesus no Monde das Oliveiras a
meditar e uma folhinha pendurada chamava a tenção pela data
atrasada.
A
fruteira cheia de bananas, maçãs e abacaxis, perfumava a sala e a
geladeira com o seu antigo pinguim fazendo companhia ao
liquidificador, parecia com seu barulho, querer chamar a atenção
para suas ausências interior: ambrosia, umbuzada, pavê de biscoito
maria...
No
canto da sala encontrava-se acima do lavabo o chifre de veado com a
toalha de mão empendurada.
Ouvi,
sem dificuldades, sons alegres celebrando a minha chegada, mas aquela
sala infinita continuava muda. Novamente passei os olhos e
estarrecida revi a cadeira, vazia…. Para sempre vazia de você, meu
amor...
Umburana
de Cheiro
A
Primeira Comunhão
Acordei
cedo, não era nem seis horas da manhã!
Tinha
tido uma noite confuso e nervosa... Era o dia da minha Primeira
Eucaristia ou Primeira Comunhão como chamávamos na época.
Deveria
ter uns nove anos se muito… Passei e repassei os meus pecados: será
que tinha dito todos ao Pe Félix no dia anterior? Ou teria esquecido
algum?
A
confissão foi traumática pois, por mais que espremesse a cabeça,
não encontrava um pecado que merecesse importância: desobedeci
mamãe, sai escondido, dei língua a minha mãe, escondido dela,
claro! Até falei que tinha dado fila na prova…
Mas,
não eram pecados que merecesse tanta deferência! Recebi, quase
nenhuma penitência…
Fiquei
olhando as mulheres que, depois de mim, foram ao confessionário e
figuei cronometrando o tempo que passavam ajoelhadas pagando a
penitência.. Aquela ali, bem na minha frente sim, tinha o que
contar... Demorou quase meia hora!
E
se a hóstia caísse quando eu fosse comungar? Ajoelhei-me e pedi
depressa, novamente perdão a Deus, agora, pelos pecados que tinha
esquecido…
Mal
deu 8h00 sai em disparada para casa de Fátima, minha amiga. Ela,
também, faria a Primeira Comunhão... Íamos todas, umas 24 meninas,
vestidas de freira. O modelo era o hábito branco comprido, tinha até
um crucifixo! Vela, catecismo… O meu era lindo, de capa de
madrepérola e na contracapa trazia embutido um tercinho de prata!
Lembro que escrevi embaixo do “cofrinho” algo assim: “Ete livro
pode ser perdido, mais tambem pode ser achado, para ser bem susedido,
trago o meu nome asinado”.
Assim,
erradamente… Ali naquela grafia estava registrado uma deficiência
que iria, permanecer por toda a vida… Até hoje sofro com o
português!
Chegando
na casa de Fátima Ferreira, percebi que a minha amiga, também,
estava ansiosa… Ela tinha dúvidas em relação aos pecados! Mas,
ela era tão santa que podia passar sem o vexame da hóstia cair…
Bem
chegando a hora e todas prontas e devidamente paramentadas fomos para
a capela do Maria Auxiliadora, onde, graças a Deus não caiu nenhuma
hóstia. Terminada a missa a festa! Suspiros, beijos, bolos, tudo
branco e muitas fotos…
Esse
sacramento foi para mim muito importante, até então eu vivia em um
mundo que não temia inferno, que não me vigiava 24 horas por dia…
A bíblia, os mandamentos a serem seguidos era os de casa e quando
estacávamos, indisciplinados, bastava um olhar de meu pai, para tudo
voltar para os eixos.
Bons
tempos aqueles… Depois vieram as culpas… Para ir para céu, teria
que comungar 9 primeiras sextas-feiras do mês, sem pular nenhuma…
Nunca consegui nem quatro… Missa teria que ser assistida pelo menos
uma cada semana! E as missas era uma canseira, longas… Depois já
mais velha e com mais discernimento melhorou! Mais ainda fico
desconfiada de muita coisa…
O
padre que fez a minha primeira confissão deixou a batina logo em
seguida e foi um escândalo! Falava-se em mula sem cabeça e em
danação eterna... Meu Deus quanta intolerância para um povo que Te
amava tanto! Quantos coraçõezinhos apertados, temerosos de pecados
não cometidos!
O
tempo passou e vi que, em se tratando de religião, pouca coisa
mudou. Meu filho, mais velho, resolveu fazer sua Eucaristia (já se
chamava assim), se preparou e no dia da confissão, notei que ele
estava muito inquieto.
Não
brincou, não almoçou e sempre preocupado com a hora. Eu, lembrando
da minha “trágica” passagem, chamei atenção do meu marido para
o fato e pedi para chamá-lo e conversar sobre o assunto.
Não
deu outra, ele estava em pavorosa porque, segundo ele, tinha cometido
um pecado muito grande e estava com medo de dizer ao padre.
Meu
marido então perguntou se ele poderia e queria lhe contar, talvez
ele pudesse ajudá-lo, disse. Aliviado ele contou: “acontece que eu
matei um pinto! Sem querer, mas, matei. Como é que posso comungar
sem contar ao padre?”
Bem,
o pai fez uma pequena preleção sobre pecado e sobre Deus e disse
que ele poderia ou não contar ao padre. Deus já sabia do ocorrido e
sabia, também, que tudo aquilo não tinha sido por maldade, logo não
tinha pecado!
Ele
ficou tão aliviado que parecia outro menino. Foi fazer sua
Eucaristia muito feliz e comemorá-la com bolo branco, suspiros,
beijos e fotos!
Umburana
de Cheiro
Perfil
Sou
apenas alguém que já a algum tempo viaja nesse espaço!
Contando
estrelas, abrindo caminhos na mata fechada!
Entre
rios, selvas, céu e mares navego a procura do Norte!
Norte,
sem corte,
sem
suporte...
Sozinha
navego à sombra, entre as pedras e de pés descalços a procura de
ti...
Umburana
de Cheiro
Cada
dia, que passa, a tristeza
vai
de mansinho
deixando
em seu lugar
uma
saudade calorosa
que
grita baixinho
que
chora comprido
e
que diz aflita
sou
louca por ti….
Contigo
continuo
dia
após dia
mesmo
estando longe….
Com
medo ainda estou,
mas
me enfrento com coragem
e
segurando a tua mão vou
abrindo
a passagem
que
me aproxima do sol
e da
tua alegria
Umburana
de Cheiro
domingo, 26 de fevereiro de 2017
O
Executivo
Os
dois se viam sempre, de longe, pois os seus caminhos diários
coincidiam. Ela ia ao trabalho e ele, quem sabe? Muito elegante de
blazer e gravata, pasta marrom combinando com os sapatos! Executivo,
ela pensava e nos cabelos ele tinha aquele grisalho luminoso e
revelador… Se encontravam no elevador e no café que ficava embaixo
do prédio… Nunca a olhava, diretamente, as colegas e amigas diziam
que ele não lhe tirava os olhos… Ai, quem dera! Pensava ela.
Ninguém, sabia o certo quem era, uns dizia que era o Diretor-Geral
da empresa, outros, diziam que era apenas um executivo de outra
empresa que vinha para participar de algumas reuniões comuns.
Outros, ainda, iam mais longe, não era ninguém menos que o sócio
majoritário de uma grande empresa que tinha um escritório naquela
ala do prédio… E ela, cada dia mais interessada, era apenas a
psicóloga de uma clínica que funcionava no décimo oitavo andar!
Ele estava sempre sozinho, tomava um cafezinho, fazia uma hora e
depois pegava o elevador. Certa vez ela o encontrou no elevador,
cumprimentou, mas ele apenas fez um gesto com a cabeça e quando
chegou ao seu destino saiu sem nada falar… Depois de dias e de
várias tentativas de aproximação, soube por intermédio de um
funcionário, da dita empresa que ele trabalhava, seu nome. Era
Mário… De que perguntou? Não sei respondeu, sei apenas que é
Mário, por que você quer saber? Perguntou desconfiado o tal
funcionário. Ela justificou que ele parecia muito com alguém que
tinha conhecido no passado… E assim, os dias foram passando e ela
cada dia caprichava mais no visual e ela nada “via”. Certo dia,
por sorte ou azar, ela o encontrou, novamente, no elevador.
Cumprimentou-o, como de costume, mas, não ouviu a resposta. O
elevador estava cheio, mesmo assim ela sentiu o perfume forte que
emanava de sua loção pós-barba, e sem entender porque, ficou de
pernas bambas… Chegando no quarto andar, de um prédio de trinta e
dois, muitos desceram, mas, ele continuou. Quando chegou no décimo
segundo andar, tinham apenas três pessoas, com ela, no elevador. Ela
começou a ficar nervosa, sentiu que ele, pela primeira vez, a olhava
fixamente! No décimo quinto andar, ela ia para o vigésimo segundo,
o rapaz que estava com eles desceu… Ela trêmula pensou: agora ele
vai falar….Mas para sua frustração, ele, nada falou e o elevador
continuou a subir. No décimo sétimo andar o elevador parou… A luz
apagou e ela, com o susto, deixou cair no chão sua bolsa e
automaticamente se encostou, ofegante, na parede. Foi quando sentiu
um grande aperto, ele a abraçou com um só braço, forçou seu
rosto, a possuiu e a beijou com força, impedindo-a de falar. Com a
outra mão a apunhalou, ali mesmo, no seu coração. Depois, a luz
por encanto, voltou e a parta do elevador se abriu e ele saiu
normalmente deixando-a atônita, desarrumada, impregnada de seu
perfume e borrada de batom, mas, completamente intacta.
Umburana
de Cheiro
Águas
Benditas
as águas que caem no Sertão
são
as lágrimas de Cristo
pelos
homens da terra, que
a
solidão espanta
retornando
a esperança
e
a vida...
Água
energia,
renovação...
Água
sangue do sertanejo.
Espanto,
comiseração...!
Águas
do São Francisco
esperança
de permanência na caatinga!
Alimento,
vida
e
comunhão...
Umburana de Cheiro
sábado, 25 de fevereiro de 2017
Hoje
eu escrevo para ti meu amor. Para lembrar-lhe que existo e que comigo
carrego todo o passado vivo. Hoje eu quero te dize, meu amor, que por
mais longe que estivermos, nada nos separa…. Penso até que estamos
mais próximos. Lembro de fatos, promessas não compridas, luzes
acesas no meio da noite, para melhor nos vermos nos olhos um do
outro.
Hoje
eu sinto que preciso lhe falar todas as coisas que não me dissestes
e que tanto eu quis ouvir... Quero deixar, aqui nessas linhas, as
lágrimas derramadas. Não as tristes lágrimas escorridas e
desenfreadas dos momentos tristes... Essas eu já esqueci, meu amor.
Quero molhar estas folhas com a alegria, das lágrimas do sentir a tua
presença e o calor dos teus beijos no meu corpo. Das nossas inúmeras horas de amor...
Dos
momentosos passados de mãos dadas, das flores que nunca me destes,
mas que preenchem o jardim da minha existência. Quero dizer que te amo e
que ainda ouço a tua voz a sussurrar que me amas, sem nada
pronunciar, quando me encontrava deitada no teu peito. Porque o
importante é sentir, no outro, o querer, o desejar, o estar e só isso já é
suficiente para aqueles que se julgam amados…. Umburana de Cheiro
Tempo
Da
minha janela observo aos poucos a vida passar.
Encontro
motivos, vários, para fazê-la parar.
Uma
hora é um filho que insiste em não crescer,
outra
hora é o emprego e um tanto por fazer….
Assim
vou me iludindo, alimentando e acumulando demandas….
coisas
sem prazo certo, coisas que já não contam….
Da
janela ouço risos são meus netos já crescidos
Querendo
comprar a vida….
Tempo
não se ganha, por mais ágil que seja
Tempo não se ganha, não se compra,]
Tempo só se perde...
É trem-bala que passa
e
não lhe espera…
E o
muito por fazer
já
não importa ele foi embora…
Umburana de Cheiro.
Truculência
Estavam
todos na mesa tomando o café matinal eram uns 20, tudo muito animado
naquela manhã de sol, no hotel. Ficava em uma comunidade pequena a
beira mar... lá todos, obrigatoriamente, se conheciam devido ao
tamanho do lugarejo e a quantidade de habitantes. Em meio aquela
alegria surge Luis, cabisbaixo, aparentando um humor completamente
oposto aos que ali estavam. Todos pararam de chofre o que estavam
fazendo, xícaras no ar, bolos a caminho da boca, sorrisos
petrificados, olhos a interrogar.
O que se passava com Luis? Era
sempre educado, falante, alegre... descontraído. Ali todos não só
o conheciam, mas, também, eram "dependentes" dele em
muitas questões como saúde, segurança, justiça, por conta da sua
boa qualificação... é que poucos profissionais qualificados se
dispunham a morar naquele povoado. Muitos iam apenas fazer turismo ou
quando muito executar um pequeno projeto e logo depois iam embora.
Apesar de o lugar ser paradisíaco, as adversidades em relação a
acessos eram muito grandes.
Só Luis permanecia e já estava a
residir por lá a uns cinco anos… Era um rapaz muito competente,
solteiro, maduro, de boa família e de boa aparência. Muito
requisitado pelas moças do povoado tinha uma predileção por moças
muito jovens, apesar de já existir a Lei contra Pedofilia, ele
acreditava que ninguém iria, jamais, lhe denunciar a comunidade
fechava os olhos, apesar de os mais velhos não aprovarem e
acredita-se que todas ou a grande maioria já tinha passado por seus
vigorosos braços. Mas havia uma, entre elas, que ele estava sempre
voltando... namorava, deixava, voltava a namorar e isso a um bom
tempo. A moça em questão, muito nova, pouco se importava, pois
estava sempre a flertar com os rapazes que por lá apareciam em busca
de aventuras...
Começou então uma conversa de “machões” quando
alguém quebrou o silêncio e falou, isso foi mais uma "gaia"
que ele levou, outro completou: também quem manda gostar de
menininhas? Oh Luis deixa de fazer drama e parte para outra, daqui a
pouco vocês voltam. Ele nada respondeu, apenas olhou, olhou e foi
tomar seu café. O amigo que estava próximo ao que falou perguntou:
mas por que ele não leva a sério esse caso de uma vez? O outro
respondeu, a meu amigo ele quer apenas passar tempo com ela, aquele
ali não casa com ninguém. Então, aquente completou.
Terminado o
café e não satisfeito um dos amigos mais velhos e também bastante
namorador, com fama de mulherengo incurável se aproximou dele e
disse rapaz vou lhe dar um conselho, arranja uma mulher de verdade,
gostosa, cheirosa, cheia de corpo de preferência e deixa esses
projetos de gente para namorar com os rapazes da própria idade.
Homens iguais a nós nada tem a ganhar com elas só dor de cabeça...
Luis um pouco irritado reclamou: veja bem, você já viu. Eu só
gosto de menina nova e quanto mais jovem melhor... fico ali entre as
ninfetas dos 12 aos 15 no máximo e só procuro uma mulher mais velha
quando estou sem opção...
O outro insistiu, com cara de pena, mas o
que você nelas? Não tem peito, não tem bunda... parecem mais uma
vassoura com aquele monte de cabelo e começou a rir - olha eu gosto
e pronto! Mas rapaz veja bem esse pessoal nem gozar, goza... Luis,
agora muito chateado, como não goza? Você por acaso tá me
diminuindo como homem? Eu sei amar uma mulher, sei fazê-la feliz...
Veja, eu não to duvidando de você, da sua capacidade e sim delas…
disse o amigo. Por que? Por que mulher nova meu caro, não goza, tem
agonia! Dizendo isso e deixando o outro perplexo foi embora…
Umburana de Cheiro

Então,
hoje amanheci lembrando da Souza Júnior...
Ali
na metade da rua, onde se localizava a minha casa e que hoje, como
residência, só ela continua...
Aqui
em Recife, alguns dias na semana, minha rua que é muito silenciosa
de repente se transforma. São louvores, gritos de Aleluia, conversas
altas e alguém com um microfone a clamar por Jesus, como se surdo
ele fosse!
Isso
me faz lembrar que o meu vizinho, por muitos anos, em Petrolina. Era
uma casa onde se concentravam os protestantes, Assembleia de Deus,
uma casa humilde, com cadeiras simples e bancos de madeira. Ela
utilizava desses modos, o pastor gritava e convocava a todos para
gritarem em plenos pulmões Aleluia, Aleluia.... estrondando por toda
a rua...
Petrolina
muito pequena e silenciosa, com pouquíssimas igrejas (lembro apenas
de três, nessa época, Catedral, Matriz, Capelinha atrás da banca,
todas essas católicas e a Assembleia de Deus protestante), população
maioria católica, pouco tolerante sse incomodava com aquela gritaria
e muito paravam para ouvir a pregação e mexer com os fiéis....
A
Souza Júnior era passagem de todos que vinham para o centro saindo
de detrás da banca. Quem ia fazer compras, quem ia para a escola,
cinema, hospital tinha que passar por lá e obrigatoriamente em
frente a igreja dos crentes, como assim era chamada. Havia uns
rapazes muito levados que se juntavam e vira e mexe, apareciam na
igreja com cara de quem estava a beira da conversão... Ficavam por
ali, na calçada, ouvindo, muito sérios e compenetrados e quando a
igreja enchia e o pastor começava a preleção, bem no meio do
discurso falava: “vocês ai que ainda não se entregaram a Jesus,
façam agora. Deem um passo a frente, aproximem-se irmãos e salve
Jesus, aleluia!”.
Era
a deixa para os travessos meninos, eles gritavam numa só voz:
Aleluia, Aleluia, carne no prato e farinha na cuia! E completavam
berrando como bode: bé, bé ...
Era um horror, o pastor, um homem muito sério e temente a Deus,
saia correndo reclamando e rocando pragas, desmanchando a liturgia
para ver quem era.
Eles
ficavam no meio do povaréu davam no pé não dando oportunidades ao
pastor de pegá-los... O coitado voltava ao púlpito arrasado, falava
que essas pessoas que assim agiam estavam condenados a irem para o
fogo eterno… Nada adiantava, passando uns dias eles voltavam e
faziam a mesma coisa. Mas mesmo nesse intervalo, bastava um deles
passar em frente que você ouvia, Aleluia, carne no prato e farinha
na cuia, não dando sossego aos crentes.
Havia
outros dias que o ritual era fechado... Eles trancavam todas as
portas e ficavam a orar, chorar, clamar bem alto.
Acontece
que a porta era de ferro, dessas que fechava por fora, então os
meninos amarravam uma corda bem grossa na fechadura da porta e
prendia no pé de ficus ou no poste que ficavam em frente.,
Terminado
as orações eles se dirigiam para saidar, coitados, percebiam que
estavam trancados e ai era uma agonia. Tentavam de tudo para abrir a
porta, quebrando a corda, puxando-a por dentro. A felicidade é que
tinha uma janela por onde eles pulavam, desamarravam a corda e abriam
a porta. No outro dia o Pastor estava lá em casa, coitado, todo
constrangido dizendo: d. Helena, eu mesmo não vi. mas acredito que
Hildebrando estava no meio... E mesmo com as reclamações de mamãe,
promessas de surras e tudo mais, eles sempre estavam lá: Roberto
Bezerra, Hidelbrando, Maninho, Batista e outros…
Esses
meninos, hoje homens, devem lembrar e rir muito dessa passagem nas
suas vidas, onde tudo era brincadeira sem maldade, feito apenas pela
vontade de se divertir… desses contumazes lembro de muitos, mas
deixo aqui sem nominar na esperança que eles venham a de identificar
ou trazer quem sabe, uma foto da tal igreja…
Hoje
em Petrolina já não tem mais essa casa na Souza Júnior, Jesus deve
ter ouvido os gritos dos seus fieis, transformando essas humildes
casas em grandes e poderosos templos…
Talvez
até exista atualmente, em Petrolina, mais igrejas evangélicas que
católicas, acredito. Penso até que os protestantes somos nós
católicos agora em minoria, por ver nossa igreja enfraquecida,
vitima de padres pedófilos, gananciosos, preconceituosos, onde o
amor a igreja é apenas um meio para sobreviver a seu bel querer….
Protestemos, então, por tudo isso…. Gritemos até, se preciso for,
quem sabe Jesus nós escute… Tentemos refazer a nossa igreja
renascendo o Cristo dentro de nós. Umburana de Cheiro
A
juventude é uma fase, na vida, que passa muito rápido. Talvez
porque nós fazemos tudo muito apressadamente e muita coisa ao mesmo
tempo! Estamos nos preparando para a faculdade, trabalho, casar, ter
filhos, conseguir a segurança para a família e ai quando menos
esperamos, estamos sós novamente e velhos. Filhos criados abandonam
o lar e nos deixa com a famosa síndrome do ninho vazio….
E o
que é pior, é que muitas vezes ficamos sozinhos em um lugar quase
estranho. A nossa própria casa se torna estranha!
Quando
casamos escolhemos uma casa a nosso gosto e a mobilhamos conforme
nossas inclinações e posses…. Se gostamos de arte nossa casa é
cheia de objetos escolhidos com todo carinho…. Se somos mais
despojados ai temos uma casa onde as almofadas, as cores, dão vida
ao lar e se somos mais clássicos, então temos uma casa requintada,
cheia de bibelôs, cristais etc e tal. Temos sempre um cantinhos
especial para alimentar o nosso espírito: um jardim, uma sala de
música, um lugar reservado a leitura ou a escrita, a pintura... ou
até mesmo uma cadeira especial onde sentamos nos momentos de folga
para dar vasão a nossa imaginação… Ali é o nosso reduto, ali
ouvimos nossas músicas, tocamos nossos instrumentos da forma que nos
aprouver, afinal estamos em casa.
Mas
quando chegam os filhos começam as concessões: onde colocar os
brinquedos? Cedemos aquele quarto que era tão meu, a sala passa a
ser o parque de diversão meninos e para isso vamos nos desfazendo de
objetos antes indispensáveis. Já não ouvimos nossas músicas e nem
os nossos programas…. Até a alimentação foi modificada com a
vinda e o crescimento dos rebentos..
Ai
eles crescem e as concessões também. - ah mãe, a TV esta absolta
agora é de plaza e digital, esse quadro não ta com nada vamos
colocar aqui um papel parede irado…. Uma textura…. Mãe não se
fala mais assim… E, por ai vai. O som geralmente é alto e gostos
musicais diferentes do seu. Sua estante é tomada por aparelhos
eletrônicos e outras coisas mais.
E o
carro? Esse então, não é mais seu, no máximo você passa a ocupar
o cargo de motorista e depois nem isso.
Enfim,
quando muito, lhe deixam com seu quarto e ai quando você já
resignada se acostuma, eles vão embora…. Fica você, só com as
coisas deles, olhando nas paredes antigos sorrisos….
Umburana
de Cheiro
Em casa além de gritos, choros de birra e risos, ainda encontro outros vestígios de ontem... Vocês pequenos a correrem, aos tropeções desviando de cadeiras e mesas e, eu atrás, a querer livrá-los de tombos…. Muitas noites sem dormir em vigília por conta de uma tosse ou uma cólica que insistia em ficar…. A festa do ABC, vocês aprendendo a ler… Outros dias de algazarra junto a amigos e irmãos a cantar parabéns por mais uma primavera de vida…. As teimosias da adolescência, as primeiras desilusões amorosas, o primeiro “pileque” serei incapaz de esquecer, noites sem dormir por outros motivos bem mais sérios…. Vocês querendo abraçar o mundo em uma noite, conhecer a vida em rápidos momentos e eu tendo que aprender a viver com rapazes, homens e torcendo para a noite passar rápida e tê-los, em casa, são e salvos, novamente. A ausência, os estudos, a saída de casa deixando-a vazia sem os ecos dos passos e do som alto do rock e da TV…. Muitos sustos, muitas alegrias e os filhos adultos…. Adultos? Sim, na idade, com sua vida feita, com famílias formadas. Mas, as preocupações continuam…. Estão viajando? Cuidado com as estradas!!! Estão nas festas? Cuidado com as bebidas e os anos, preferimos que passe, agora, mais vagarosamente para dar tempo de ver os netos crescerem…. E o peito, cada dia mais saudoso, mais cheio de lembranças…. Umburana de Cheiro
Foto: o menor, João Cândido (João Araújo) e o maior Josè Carlos Araújo (Jr)
Foto: o menor, João Cândido (João Araújo) e o maior Josè Carlos Araújo (Jr)
— com João Araújo eJose Carlos Inojosa.

Um
novo dia se faz com o mesmo sol, o mesmo céu que sempre se veste de
luz a cada amanhecer. Cabe a você fazer com ele seja diferente, que
se torne um inestimável presente....
Se
o dia estiver frio, escuro, não significa que o sol não esteja lá
a despejar sobre você os raios necessários a sua vida. Da mesma
forma quando o dia está claro, o sol vai incidir mais sobre a sua
frágil pele com o mesmo objetivo. Portanto, cabe a você a
permanência sobre os raios, cabe a você ficar o tempo necessário
para que não se desgaste.
Também,
assim se faz o dia a dia, com parcimônia e discernimento para
encontrar o equilíbrio que proporcionará a consumação dos seus
desejos.
Existe,
em tudo um ponto de equilíbrio e em você também. lembre-se que
você é natureza e por ser natureza deve permanecer intacta, sem
alterações artificiais. O que seria as alterações artificias?
Acredito
que o estresse, o pensamento negativo, o desejo exacerbado, a cobiça
desenfreada. Isso são ações extraordinariamente eficientes e
eficazes... Ações que irão pouco a pouco minando sua vida e
usurpando o seu presente.
Lembre-se
do sol, é o mesmo todos os dias. Mas, a cada dia se apresenta
diferente, mas, essa diferença é a medida certa para transformar o
seu presente.
Umburana
de Cheiro
Umburana
de Cheiro"
Uma
vida feminina
sozinha
e cristalina
feito
água do rio
uma
margem nua e fria
assim
tão vazia
que
dava pra ter arrepios
a
vida passava tão mansa
que
sempre era criança
por
mais anos que tivesse
e
assim o tempo passava
ela
feito navalha
feria
e sangrava
enquanto
desmoronava
sem
graça e sem pressa….
Umburana
de Cheiro
Súplica
Senhor, nesta hora,
aqui em frente a
janela,
de olhos nas
estrelas,
suplico a Tua
benção!
Enche-nos de amor,
fé e esperanças em Ti…
Senhor eu vos peço
que estenda Tuas mão e
derrama, sobre nós,
as Tuas graças…
Nós, Senhor, pobres
pecadores, renegados filhos de Eva!
Nós, Senhor, que
esquecemos
tanto de Vós!
Nós que
desconhecemos nossos irmãos tão necessitados
E que acalantamos,
tanto, aqueles que gozam de
recursos, saúde,
beleza e alegrias...
Piedade Senhor…
Releva as nossas
faltas….
e valoriza as nossas
pequenas boas ações…
Entende Senhor que
nós somos fracos, egoístas e
deslumbrados com a
Tua dádiva!
Dai-nos paz…
Ilumina nossos olhos para que eles
vejam, no outro, a
Ti
E assim possamos
cumprir a promessa
Possamos Te
encontrar em todas as criaturas
respeitar e ser
amoroso com elas e
para sermos digno de
Ti!
Umburana de Cheiro
Uma linda mulher!
A conheci cedo, foi a primeira coisa que vi e acredite: me apaixonei…
Ela era imensa e linda. Ainda jovem e já distribuída em tantas
almas... conseguia cantar e acalentar nas aflições da vida…
Enérgica quando necessário, tinha um senso de certeza invejável e
sabia exatamente se conduzir pelo olhar…
Dizia ver a alma
das possas e ao que me consta, nunca se enganou… Sabia contornar a
vida e como um rio ia de obstáculo em obstáculo vencendo a sua
partida… Nunca olhava a chegada, se preocupava com o caminho, com
os companheiros de ocasião que queriam, por acaso, lhe roubar tempo
ou coisa parecida. Era valente, generosa com os despossuídos,
aceitava a todos, mas, isso não significava que ao oferecer uma
xícara de café, estaria lhe oferecendo espaço para participar da
sua vida…
Era extremamente
exigente e nunca faltava aos seus, apesar dos seus serem muitos e ao
mesmo tempo pouco, queria ver todos sorrindo o seu próprio riso…
Confundia um
pouco as coisas, é verdade! Mas como não confundir quando o muito
que lhe deram era tão pouco para se? Vivia para sua casa e sua
família e eu nem sequer lembro nos quarenta anos de conhecimento,
vê-la esbelta, faceira… estava sempre a preparar alguém, sempre a
cortar panos brancos, na sua máquina bordando e cantarolando
baixinho, sempre a sevar galinhas…
E quando pude
vê-la sozinha, nela mesma, já estava disforme. Não totalmente e
nem muito menos, estivesse feiamente disforme, continuava bonita
aquela beleza encontrada pelos que amam, no ser amado, sempre que o
olha. Mas, estava despossuída de muitas alegrias… Mesmo assim, vez
em quando, era uma alegria que tomava conta do seu belo rosto, ela
cantava alto, se vestia, se perfumava com mais esmero, tornava-se
mais bonita, arrumava mais ainda a casa e ia para a sala de espera,
esperar (sim até chegar no âmago da sua casa, existiam várias
salas… sala de espera, sala de estar, sala de jantar)…
E ai ele chegava
a razão da sua vida, então vivia. Abria-se as janelas da casa, era
só festas, a vitrola era ligada, pessoas frequentavam a casa,
sorria-se de tudo. Até a alimentação modificava, já não tinha
apenas três refeições em casa e sim uma só, que era servida o dia
todo… Comemorava-se festas da cidade, Natal, Ano Novo, Carnaval,
São João e Padroeira…
Lembro de muitas
festas, das roupas novas, sapatos novos, amizades novas… visitas…
da chuvinha, fina, que insistia em cair na noite de S. João,
colocando em risco a fogueira tão esperada...
Até que um dia
ele não voltou mais e não adiantou colocar vestido novo, ir para
sala de estar, correr ao toque do telefone… Ela foi murchando aos
poucos, foi se encolhendo para dentro de se de tal forma que nada
mais escapou… não se ouvia mais risos altos, contação de causos,
cantorias. Não se comemora mais festas, a vitrola encontra-se
esquecida e empoeirada, ficou obsoleta e subutilizada numa sala
qualquer da casa…. Umburana de Cheiro
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Viva o Zé Pereira,
Viva o Zé Pereira,
Viva o Zé Pereira
E viva o Carnaval…
Quem é Zé Pereira? Alguma figura ilustre do folclore brasileiro? Algum poeta, cantor, compositor famoso? Algum boêmio?
Quem
não
conhece esse bordão carnavalesco que
foi responsável pelo nascimento do
Carnaval de rua no Brasil fazendo
história. Foi
Inspirado
em uma canção francesa (Les
Pompiers de Nanterre).
Mas,
existem
várias versões para essa história.
“Zé Pereira”,
sapateiro português, por
nome de
José Nogueira de Azevedo Paredes, em
1850, reuniu amigos e circulou
pelas
ruas do Rio de Janeiro ao som de bumbos, zabumbas e tambores. Foi
o que o carioca precisava para
definitiva comemorar
os
festejos nas
ruas da
cidade. O
gosto espalhou por todo o Brasil e hoje temos esse Carnaval animado
que além de mudar os costumes da época (quando
a festa estava limitada
aos clubes), modificou também a música brasileira.
A
a
existência
de uma diversão carnavalesca conhecida como Zé Pereira em Portugal
do século XIX indica
as razões
do
surgimento da brincadeira no carnaval carioca.
Festa
carnavalesca
acompanhada de zabumbas e tambores, semelhantes ao que chamaríamos
hoje de troças.
Ferreira (2005) e Cunha (2002) destacam
a multiplicidade de forma e conceitos que podiam envolver as diversas
brincadeiras chamadas genericamente de Zé Pereira.
Uma
encenação, em 1869, de uma burleta carnavalesca intitulada O Zé
Pereira carnavalesco e o sucesso da apresentação — a
imitação e adaptação livre da peça Les pompiers de Nanterre
(Os bombeiros de Nanterre) — criando à versão para o
português da música-tema francesa que se transformaria num
verdadeiro hino carnavalesco, sendo tocado até hoje:
Umburana
de Cheiro
Ref.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Pereira,
em 24.02.2017
http://www.samba-choro.com.br/noticias/arquivo/1407
Eu e o rio
Quando penso na
minha infância
vejo logo a figura
de um rio
célere, gordo,
rico, alegre
correndo rumo ao
norte….
Nascido lá nas
Canastras, curioso joga-se em pleno ar
formando cachoeiras
e corredeiras
encantando os povos
de cá,
escolhendo o caminho
mais longo
para seu sonho
realizar...
E a medida que
avança, vai recebendo
as águas daqueles
que se entregam, são rios com
vocação de rio a
um rio com vocação de mar
Depois de saciar a
sede de tantos ribeirinhos
acender luz,
despachar sombras, continua
o seu caminho….
Então quase já
saciado para escutando um chamado!
insolente e
orgulhoso
faz uma curva
fenomenal
como quem quer
voltar para casa
rasgando o
manguezal.
Mas, num ato de
teimosia ou bravura,
aprendido com os
filhos do norte,
desiste se
acasalando com o mar
mostrando a todos a
sorte
de se poder amar
ricos, negros,
índios e pobres….
No início existe um
medo, de virgens, que no abraço o mar o devore
mas, como todo
casamento o amor a todas arestas dissolve
o rio vira mar e o
mar fica mais doce, generoso e nobre….
Umburana de Cheiro

Uma imagem no espelho é muito mais que um reflexo. É o espirito capturado em um momento de deslise... Ser generosa consigo próprio é aceitar amorosamente aquela outra que lhe sorri ou chora...
Amar-se como se é, é renunciar aquela que construímos aos poucos para satisfazer uma ideia. Para melhor conviver ou responder demandas...
Ser fiel a se próprio se torna tão difícil que quando, por um lapso, deixamo-nos vir a tona, nos surpreendemos e falamos, como que para justificar: não estava em mim... Perdoa, mas não sei o que deu em mim...
A medida que envelhecemos vamos, também, nos fragilizando... vamos colocando para fora aquele outro ser aprisionado, camuflado. Por isso ouvimos tanto: mas como pode se transformar assim? Acredito que existem duas ou três situações, no máximo, em que nos revelamos sem reservas: quando crianças ali até no máximo sete anos, quando estamos tão idosos ao ponto de nada fazermos sem a ajuda de outro ou quando estamos extremamente doentes.
E muitas vezes até convocamos este ser interior, deixamos que ele nos aconselhe, mas é apenas por momentos, instantes em que nos pegamos relaxados. Logo, logo balançamos a cabeça e ordenamos que retorne a sua prisão e lá fique inerte.
Afora essas situações somos aquele que o outro espera e a cada dia mais nos esforçamos para melhorar e ser perfeitos para os pais, irmãos, amigos, colegas de trabalho e demais...
Isso tudo só mostra a nossa covardia, o nosso medo de não ser aceito, amado, desejado... Nossa busca é pela perfeição não do nosso eu e sim daquele eu implantado, usurpador de mim.
Umburana de Cheiro.
Amar-se como se é, é renunciar aquela que construímos aos poucos para satisfazer uma ideia. Para melhor conviver ou responder demandas...
Ser fiel a se próprio se torna tão difícil que quando, por um lapso, deixamo-nos vir a tona, nos surpreendemos e falamos, como que para justificar: não estava em mim... Perdoa, mas não sei o que deu em mim...
A medida que envelhecemos vamos, também, nos fragilizando... vamos colocando para fora aquele outro ser aprisionado, camuflado. Por isso ouvimos tanto: mas como pode se transformar assim? Acredito que existem duas ou três situações, no máximo, em que nos revelamos sem reservas: quando crianças ali até no máximo sete anos, quando estamos tão idosos ao ponto de nada fazermos sem a ajuda de outro ou quando estamos extremamente doentes.
E muitas vezes até convocamos este ser interior, deixamos que ele nos aconselhe, mas é apenas por momentos, instantes em que nos pegamos relaxados. Logo, logo balançamos a cabeça e ordenamos que retorne a sua prisão e lá fique inerte.
Afora essas situações somos aquele que o outro espera e a cada dia mais nos esforçamos para melhorar e ser perfeitos para os pais, irmãos, amigos, colegas de trabalho e demais...
Isso tudo só mostra a nossa covardia, o nosso medo de não ser aceito, amado, desejado... Nossa busca é pela perfeição não do nosso eu e sim daquele eu implantado, usurpador de mim.
Umburana de Cheiro.
2017, sexta-feira é carnaval!O sol quente em um céu sem nuvens, parece convidar os foliões a ir em busca da felicidade. Serão quatro dias de harmonia, assim promete o Rei Momo.Como mágica, o povo que até então vinha reclamando do desemprego, da falta de assistência à saúde e educação, da falta de moradia digna e da segurança precária é tomado de um súbito esquecimento e cegueira.Transforma-se: agora são reis, Colombinas, Arlequins, palhaços. Homens vestidos de mulher extravagantemente maquiados, a desfilarem majestosamente pelas ruas aos sons de atabaques ou simplesmente chocalhos improvisados...Em Olinda as figuras dos bonecos gigantes dá o tom da festa. Pelas ruas vão personagens históricos quer pela sua hombridade quer pela falta de decoro, tudo na vala comum. A irreverência fica também por conta dos blocos: A Cobra Fumando, Acorda Pra Tomar Gagau, Ainda Morro Disso, Alvará De Soltura, As Piranhas, Bimba MoleCabeça De Touro, Cagão Misterioso, Cata-Corno Na Folia, Enquanto Isso Na Sala De JustiçaBlocos antigos como Elefante, Pitombeira dos Quatro Cantos, O Homem da Meia Noite, Bacalhau do Batata se esmeram na bateria e animação. Mas, mesmo aqueles que trazem fantasias luxuosas, tem o mesmo valor pra quem dança, do seu trapo vestido ou improvisado...Em Recife o Maracatu, Afoxés e Caboclinhos lindamente vestidos misturam-se a famílias inteiras que dançam e cantam acompanhando as chamadas troças e vão de braços para o alto exaltando felicidade.O galo da Madrugada, Bloco da saudade, Amantes de Glória, são alguns entre muitos que embelezam o Recife antigo.Aquele mesmo povo Já esqueceu as mazelas, a corrupção, o desamor e até do amor, mais próximo, que deixou em casa, e que, aquelas alturas, já se conformou em ir para rua sozinho….A TV reclama algo assim: " Vem.....pra ser feliz, eu tô no ar tô eu tô que tô legal” e o dia passa, a noite chega e aquele povo já espremido e agora comprimido, é só suor, cerveja e animação.Sente-se no ar, também, um forte cheiro de amoníaco ou melhor de urina e vômitos, por onde se passa…. Os pés tropeças em latas de refrigerantes e de garrafas pet vazias e se molham poças d'água e refrigerantes derramados. A educação reclamada, some como por encanto cedendo lugar ao carnaval onde tudo pode!Alguém é beijado inesperadamente por um desconhecido que sai fazendo graça…. é carnaval.Enquanto isso o mundo real continua: estupros, corrupção, assaltos, contaminação de DSTs, apesar de milhares de camisinhas desatribuídas. E o povo cantando pra ser feliz, pra ser feliz…. A energia é tão grande que nada desfaz aquela magia.Nem por um momento sequer se pensa em reivindicar substituindo apenas a letra enquanto pula: pra ser feliz, pra ser feliz eu preciso de trabalho e de saúde etc e tal…. Fazer o que? É carnava, seja você quem for, seja o que Deus quiser ! Umburana de Cheiro
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