Ai meu amor, não chegue sem avisar
o dia ainda se faz breve
não quero te assombrar
O céu escurece e a lua
começa a espiar
ah meu amor não chegue sem avisar
deixa um recado na porta
ou pede o tempo pra entregar
quem sabe me encontre morta
de tanto lhe esperar...
Umburana de Cheiro
Umburana de Cheiro
sexta-feira, 26 de maio de 2017
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Malhadas do destino
Da vida quase nada
sei
apenas do canto da
sabiá, do galo de campina
do cheiro da terra
molhada nas malhadas do destino
Nas terras que um
dia deixei o rio andou por lá
hoje restam pegadas
amorfas, campos estéreis, saudades ...
O mandacaru teima
aqui e ali brota querendo voltar.
Um xique-xique
espinhoso, aponta os espinhos esturricados de sol,
sal num deserto sem
par
Que foi feito dos
pássaros
que viviam a cantar?
Das rosas e das
borboletas
coloridas?
Do zoar das abelhas
a engravidar as flores?
As águas que, por
aqui, correram será
que encontraram o
mar?
Uma faveleira morta,
mostra a sina do lugar….
Umburana de Cheiro
sábado, 8 de abril de 2017
Ilusão, doce ilusão
para o bem ou para o mal
podemos transformá-la, destruindo-a e construindo outros sonhos,
castelos de fantasias….
Somos privilegiados, temos um corpo físico complexo, uma
inteligência inata e uma alma imortal….
Então por que olho para o norte vejo o sol
onde o inverno é perene e profundo?
Onde a dor que sinto vem de
infinitos desertos?
E a minha cura está dentro e não fora?
Ser, somente ser. Sem ruídos...
Ser íntimo de si, conhecedor, fazedor de si
Crinas ao vento, romper da aurora,
vida sem rumo, desafios,
cavalos de troia….
Ilusões, fantasias….
Umburana de Cheiro
sexta-feira, 7 de abril de 2017
A noite, da janela
do meu quarto,
vejo outras noites
outros dias
anoitecidos sem findar….
Terão sido tempos
perdidos,
esquecidos de lutar?
Num mundo onde nada
se perde,
nem o sonho acontece
sem a liberdade pra
sonhar?
Não foi por falta
de luta
ou por preguiça do
dia
quem sabe não foi a
noite,
que chegou sem
avisar?
Umburana de Cheiro
Ela
acordou com o sol queimando as suas pernas, estava ali desde cedo e a
beleza do lugar não a deixara sair. Algumas pessoas a tinham
convidado a dividir suas barracas, mas, ela, insistira em ficar e
agora estava tremendamente queimada de sol... Levantou-se e se
dirigiu ao um bar próximo atrás de uma água de coco. Tomou e
aproveitou para refrescar o rosto. Depois pegou sua bolsa e saiu rumo
ao hotel onde estava hospedada.
Como
pode ser tão lindo assim? Se perguntava enquanto tentava mirar o
horizonte. Era tudo céu e mar e em cada praia que fora, independente
de onde estivesse, o mar se confundia com o céu. Aquela ilha era
como um navio a navegar infinitamente no mar sem fim.
Chegando
em casa retirou todo o sal do corpo. A água tinha uma densidade
diferente, era mais pesada, mais salgada que de onde tinha vindo.
Colocou
um short, uma blusa branca, umas rasteirinhas, peteou os longos
cabelos e colocou um chapéu. Antes de sair olhou para cama e a
vontade de deitar-se a surpreendeu, não vou ceder a esses desejos de
desaparecimentos: dormir, ficar embolada na cama lembrando coisas
passadas era um voltar para um tempo que não existia mais, pensou.
Não iria se permitir a isso novamente, levantou o queixo e saiu.
A
claridade a cegou momentaneamente fazendo com que ele esbarrasse em
um rapaz que por ali passava.
-
Eeeei, calma. Por que a pressa?
-
Não é pressa é cegueira momentânea mesmo, respondeu enquanto ria
e pedia desculpas
-
Nossa mas você tem um sorriso lindo, disse ele.
Por
um momento ela pensou em ser indelicada, mas depois lembrando das
promessas feitas há pouco, decidiu continuar sorrindo.
-
Olha tô indo jantar, não quer se misturar com a gente?
-
A gente quem? Respondeu procurando ao redor, outras pessoas
-
Meus amigos e minha namorada, eles estão me esperando no restaurante
Ela
bem mais animada decidiu ir, por que não? Pensou. Ficou sabendo que
o nome dele era Pedro, engenheiro, estava ali para desapegar da
rotina estressante da cidade de onde vinha. Ela a apresentou a todos:
Renato e Sílvia um casal de amigos que, segundo ele, eram “guardas
costas e frentes” deles, devido a atenção que os dispensava.
Findo
o jantar sairão para dançar, ela com uma sensação de quem está
sobrando entrou no carro e sentou-se próxima a garota, cujo par,
estava dirigindo.
Encontraram
um Luau muito animado em uma praia bem selvagem onde se entregaram ao
som do reggae. Dançaram todos com ela que aos poucos e após algumas
doses consumidas, foi sentindo-se mais confiante.
De
repente estava em frente a um rapaz muito alto de bermuda florida e
um sorriso branco no rosto. Viu-se retribuindo o sorriso e, para se
sentir mais independente do grupo, começou a conversar com ele.
Estava muito envolvida na música quando ouviu um estranho som que
sobressaia dos sons ali ouvidos… Inclinou a cabeça e esperou ouvir
novamente.
– Não se assuste, é apenas o mar batendo nas rochas ao lado do
bar.
– Mas, tão alto assim?
–
Sim, estamos em cima da ponta da rocha, basicamente, e quando a maré
enche ouvimos este som que nada mais é do que a passagem da água
por uma falha e principalmente em noites de Lua cheia quando o
repuxo é mais perceptível, quando a água
é
empurrada
para a praia pelas ondas.
–
Deve ser lindo!
-
Sim mas, perigoso.
O
retorno da água chega
a
derrubar pessoas ou escavar a areia sob seus pés, e puxá-la para
águas mais profundas. Quando a arrebentação é grande, uma segunda
série pode encontrar a água do repuxo, criando extensa turbulência,
muito
perigosa e
muitas vezes aqui, nesta praia, puxam
uma
pessoa numa distância
muito curta mar adentro é
preciso então muito cuidado. As vezes a beleza mata, completou:
– Quero ver!
Sem
pensar ele respondeu;
–
Vamos.
Saíram
de mãos dados e enquanto saia, ela teve o cuidado de acenar para os
amigos. A lua estava enorme e seus raios prateados cobriam todo o mar
e enchendo-o de estrelas prateadas. A areia brilhava tanto que ela
pensou em chorar diante de tanta beleza.
-
Vou pisar as estrelas!
-
Não se preocupe elas são muitas, pode pisar a vontade, não vai
fazer falta, disse ele.
Quando
chegaram no local onde o mar batia na rocha ele apontou e disse:
-
Olha lá! O mar bate ali na rocha e entra pela falha, saindo pelo
outro lado e isso faz esse som diferente.
´ -
Estou impressionada daqui e sem os sons do reggae parece um grito!
Dizendo isso se aproximou bastante da água.
-
Venha cá, chamou ele, não se aproxime tanto! A força da água é
muito forte! Dizendo isso a puxou com força para si. Talvez pelas
doses de Martíni ingeridas, pela solidão de tantas noites ou pela
luz da lua, ela se sentiu atraída para ele de tal forma que se
desequilibrou deixa-se aninhar no seu peito e ali mesmo, como um
encantamento, eles se possuíram….
Quando
por fim, exaustos, felizes e, ainda, sem saberem sequer o nome um do
outro, se separaram, ela correu para o mar e gritou já com água na
cintura:
-
Você que fique ai, eu vou dar um mergulho!
Prontamente
ele levantou-se e correu em direção a ela. Mas, não teve tempo de
alcançá-la, o mar em repuxo, a abraçou primeiro e em seguida,
envolveu-a na sua escuridão. Ele ainda viu o seu belo rosto prateado
pela Lua, seus cabelos salpicados de estrelas, e o seu grito de
surpresa ao mergulhar para sempre.
Umburana
de Cheiro
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Dias
desses eu estava muito estressada no Shopping, tentando pagar o IPVA
que este ano ainda não tinha chegado o carnê na minha casa.
Primeiro veio o terror: este ano o IPVA terá que ser pago em
janeiro, depois outro informe: a justiça decidiu que o IPVA vai
continuar como sempre a depender do número da placa. E nisso o tempo
passa e quando vejo final de março e IPVA atrasado. Nada de chegar o
carnê. tento pela INTERNET não consigo baixar, vou ao DETRAN e me
informam que está em greve e que sim, eu estava atrasada com o IPVA
e tenho que retirar pela INTERNET mesmo. A moça, muito solicita, me
dá um papelzinho com o passo a passo. Chego em casa, não funciona.
O Detran não reconhece o endereço, dois dias depois volto, falo com
a moça e sou informada que a greve acabou. De posse dos carnês (meu
e do marido) me dirijo ao banco, estou muito concentrada e irritada
com tudo aquilo.
De
repente escuto um grito: ô mãe! É a voz do meu filho mais velho no
meu ouvido. Paro de chofre e olho em todas as direções na esperança
de ver os seus olhos, depois, lembro que ele está longe e que tudo
não passa do consciente ou inconsciente ou ainda subconsciente me
pregando peça. Mãe é assim, está sempre antena em perfeita
conexão com os filhos estressada ou não. Vira e mexe o está
ouvindo e vendo pessoas parecidas com eles. Acontece também com
pessoas a quem queremos bem ou que, de alguma forma, precisam morar
na nossa lembrança. Por que será que não vemos, com a mesma
frequência, pessoas estranhas, parecidas com os nossos desafetos?
Pensei: Isso daria uma boa conversa com lacanianos e froideanos.
Outro
dia estava sentada esperando ser atendida em uma Instituição,
quando para em minha frente, muito feliz um senhorzinho. Ele olha
para mim, cheio de amor diz:
–
Zinha! Como vai?
–
Eu vou bem, respondo na bucha
–
E Dedé, me dê notícias de Dedé, homem, pelo amor de Deus me diga,
como vai ele?
-
Olha, acredito que ele vai bem, do contrário, o sr saberia não é
verdade? Notícias ruins correm
Ele
olhou bem para mim e continuou:
-
Menina, você não está lembrada de mim? Mudei tanto assim? Sou
compadre de Dedé que é casado com Edvirgens... Acredito que sou até
seu padrinho.
Ai,
eu vi que a coisa estava ficando séria e calmamente falei;
–
Por que o Senhor não se senta para conversarmos melhor?
-
Não, tô com pressa. Parei apenas para saber do Dedé, Ah meu Deus!
Que dia abençoado. E apontava para o céu como em oração. Isso
algumas pessoas já olhavam a cena tentando entender.
-
Senhor, sinto muito, eu não sou Zinha e mais, não sei de quem o
senhor está falando. Eu, francamente, não estou lembrada e não
conheço nenhuma dessas pessoas, infelizmente.
Ele
pobrezinho, calou-se e depois de me olhar bem, começou a pedir
desculpas e a se justificar para as pessoas que sorriam sem dó nem
piedade. Enquanto ele se explicava eu ficava pensando: do que ele
está se desculpado? Qual o problema se o amor dele pelo compadre é
tanto que vê pessoas de seu relacionamento por toda a parte? Imagine
a vontade deste velhinho em rever ou saber do amigo querido? Quando
dei por mim ele já estava saindo decepcionado enquanto dizia
baixinho: é toda a Zinha da Edvirgens, é a cópia fiel….a cópia
fiel... Umburana de Cheiro
terça-feira, 4 de abril de 2017
Me deixa seguir.
Amarras, com laços de fitas, os meus pés inquietos,
não vês que quanto mais caminho, mais se distancia o horizonte?
E aquele arco-íris que, fincado, nele está?
Sempre a sorrir e iludir com seu pote de ouro!
Será que está a me convidar
para o festim dos anjos?
Ou apenas espera que a minha vagarosa e indecisa caminhada
me atrase?
Quando meus pobres pés cansados,
o alcançar, encontrará somente resquícios
do seu tesouro…
Tuas fitas já não me importunarão, terão ficado
esgaçadas pelo caminho, distribuídas a mercê dos ventos,
de obstáculo em obstáculo,
opacas,
confusas...
perdidas para sempre!
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